«Promised Land» (Terra Prometida), por Roni Nunes

(Fotos: Divulgação)
 
Gus Van Sant adota o ritmo de vida do interior para contar uma velha história da comunidade rural às voltas com o assédio de uma grande corporação. Neste caso, trata-se uma companhia de gás natural que lhes oferece dinheiro fácil em troca de autorização para fazer prospecções nas suas terras, sem lhes informar sobre os graves riscos ambientais que daí podem advir. 
 
Steve Butler (Matt Damon) e Sue Thomason (Frances McDormand) são os representantes comerciais da companhia enviados ao lugar para recolher as assinaturas. Deparam-se, no entanto, com uma comunidade muito bem informado por um engenheiro reformado, Frank Yates (Hal Holbrook) e com a ação de um irritante e muito bem-falante ambientalista, Dustin Noble (John Krasinski), que conquista a amizade dos locais.
 
“Terra Prometida” está ligado a questões realmente pertinentes nas grandes nações agrícolas do mundo (entre as quais os Estados Unidos) onde a ação de empresas e das suas novas tecnologias (como os transgénicos) têm suscitado controvérsias e problemas de difícil solução – ao mesmo tempo que, como no filme, conseguem resgatar economicamente localidades rurais bastante empobrecidas. A obra gerou polémica e foi acusado de levantar problemas infundados no que se refere à prática de extração conhecida como “fraturação”.
 
Com um filme cheio de luz e com as paisagens verdejantes a funcionarem como um comentário visual ao que está em jogo (a importância da natureza), a proposta de Van Sant é bem mais suave do que outros bombásticos e dramáticos filmes de denúncia ecológica. Em grande parte, isto ocorre porque o par de protagonistas segura, com a sua empatia natural, uma trama que lhes é desfavorável em quase todo o filme, garantindo um conflito muito suave e quase despretensiosamente construído – a despeito das situações que denuncia. 
 
Apesar de um excelente twist, o filme peca, no entanto, por exibir uma comunidade rural demasiado consciente, para além de um discurso de redenção altamente escusado. À mistura, um romance tão casto (entre Butler e Alice, vivida por Rosemary de Witt) que está mesmo para o idílio da casinha com cerca branca que serve para contrapor a ganância dos citadinos – armadilha do qual o filme não consegue escapar. Como o realizador é Van Sant, espera-se qualquer coisa mais – uma hecatombe, uma explosão, uma viragem à esquerda. Mas não há mais nada, só mesmo a cerca branca…
 
O Melhor: a boa condução da história e a denúncia politicamente correta
O Pior: um final excessivamente despretensioso, irrealista e hollywoodiano
 
Roni Nunes

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