«The Host» (Nómada), por Roni Nunes

(Fotos: Divulgação)

Depois de levar os vampiros à Disneyland a escritora Stephenie Meyer achou que já era tempo de pôr um pouco de caramelo nas sombrias histórias de invasores alienígenas. Em “The Host” (a hospedeira) os seus body snatchers são tão meiguinhos e pacíficos que, não fossem os desvios de conduta da Batedora (no filme vivida por Diane Kruger), e ficaríamos em dúvida se o mundo deles não é mesmo melhor que o nosso. 

Mesmo assim a história consegue pôr em jogo alguns conflitos interessantes. O planeta vive sob uma ocupação alienígena, cujos invasores operam infiltrando-se no cérebro dos humanos e tornando-os bastante pacíficos e disciplinados. Quem não concorda nada que isso seja alguma coisa de bom é Melanie Stryder (Saorsie Ronan), que revela-se uma hospedeira extremamente hostil à sua “visitante” – um bicharoco brilhante chamado “nómada”. E sua força é tal que consegue mesmo dar “à volta” à invasora, fazendo com que esta a leve até o refúgio onde um grupo de humanos (incluindo familiares de Stryder) resiste bravamente à ocupação. O problema é que ela tem os olhos “brilhantes” com os quais facilmente se reconhecem os aliens e no esconderijo a sua presença vai despertar as mais diversas reações.

Inútil esperar um grande tratamento a questões caras à ficção científica, como identidade, memória, condição humana etc. Meyer joga noutro tabuleiro e o que interessa, sobretudo, é romance. E é por aí que esta adaptação de Andrew Niccol começa a descambar – num filme que vai bem até meio – com um ritmo interessante, um casting de protagonistas particularmente feliz (além de Ronan e Kruger também há William Hurt) e uma música bela e inventiva de António Pinto.

O problema é que nas histórias de Meyer toda a gente tem que se apaixonar, tudo tem que se compor à maneira das telenovelas e até a lagosta resplandecente arranja o seu par. Mesmo que essa tenha a forma física de Ronan, fica difícil de engolir o romance “dela” com Ian (Jake Abel) – assim como as dúzias de beijos “sem vontade” que tem que dar (por nobres razões), seja a Ian, seja ao amado de Melanie, Jared (Max Irons). Estas situações geraram cenas ridículas que arrancaram risos involuntários da audiência. Apesar destes percalços e das lamechices inevitáveis, a história tem muitas reviravoltas e dá para seguir sem (grande) sofrimento.

 

O Melhor: o trio de protagonistas (Ronan, Krugger, Hurt) e a música de Antonio Pinto
O Pior: toda a gente tem que se apaixonar

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