Aldo Moro e o atentado da praça de Fontana estão de volta depois de há poucos dias terem sido ambos objetos centrais no thriller político “Romanzo di Una Strage”, que abriu a última edição da Festa do Cinema Italiano.
Só que aqui se está longe da seriedade carrancuda do filme de Marco Tulio Giordana. O realizador Roan Johnson parte de um episódio verídico extremamente caricato ocorrido em 1970 para fazer um comentário político despretensioso sobre o cenário italiano da altura. Não por acaso, o filme começa com cenas de documentários de marchas fascistas, seguidas por manifestações e atentados bombistas para demonstrar que no final dos anos 60 estavam bem vivas em Itália tanto a luta social quanto a sombra de um golpe militar – por aquelas alturas ocorrido na vizinha Grécia.
É o temido putsch de Estado que o músico revolucionário Pino Masi acredita que chegou – sendo ele “o primeiro da lista” dos alvos a abater. “Espionado” pelas autoridades “fascistas”, ele e mais dois amigos acabam por meter-se numa alucinada fuga rumo à fronteira, terminando por invadir um território estrangeiro e ir parar a uma prisão austríaca.
Esta sátira conspiratória seria demasiado anedótica não fosse inteiramente verídica, com o delicioso pormenor dos atores a “contracenar” com os verdadeiros protagonistas nos créditos finais do filme. Embora, no entanto, o cenário de paranoia e claustrofobia autoinduzida sejam bem construídos – por um largo momento esquecemos que a Itália da altura era uma democracia! – “I Primi Della Lista” peca ter uma proposta demasiado simples, utilizando uma história que se revela não ter conteúdo nem acontecimentos suficientes para sustentar uma longa-metragem. Mas dá para rir.
O Melhor: tem boas piadas e o cenário de “claustrofobia” auto-induzida está bem construída
O Pior: é uma boa anedota verídica, mas demasiado simples para sustentar uma longa-metragem
| Roni Nunes |

