Festa do Cinema Italiano: «Gli Equilibristi», por Roni Nunes

(Fotos: Divulgação)

 

Uma história de marginalização que pretende ser um comentário sociológico baseado na vida de um homem cuja vida fica desfeita após um divórcio. Giulio (Valerio Mastrandea) é um empregado da câmara que tem uma família “normal”, com um filho de nove anos e uma filha já adolescente – e com os quais mantém uma relação de afeto e cumplicidade. No caso da mulher, Elena (Barbora Bobulova), a coisa é mais grave: após um “deslize”, é forçado a sair de casa, dando início a um calvário económico que o vai atirar nas franjas da marginalidade.
 
O divórcio, diferente do que se poderia esperar, não é abordado aqui do ponto de vista dos traumas afetivos ou emocionais para os quatro envolvidos, mas pelo prisma económico. Mas se é aceitável o que diz a certa altura uma personagem para Giulio – que “o divórcio é para os ricos” e que mais vale voltar para a casa e dormir no sofá – por outro lado “Gli Equilibristi” evolui a partir de um mau ponto de partida. 
 
Por outras palavras, se a ideia do realizador Ivano de Mateo na sua segunda longa-metragem, era, afinal, falar sobre exclusão social e sem-abrigos, dificilmente se consegue conceber que um funcionário público seja incapaz de voltar para casa e prefira sacrificar a comunicação com os próprios filhos para viver na completa miséria.
 
Esse não parecia ser o destino de Giulio, mesmo com dificuldades para honrar as despesas e pagar o alojamento. De Matteo leva o filme em “ponto morto” até quase a metade, utilizando o quotidiano para acentuar a relação de afeto entre pai e filhos e sem que um conflito real exista para impulsionar o enredo.
 
A partir de uma certa altura, no entanto, ele decide pisar no acelerador ladeira abaixo – lançando-se num afoito jogo de fetichismo miserabilista que torna o filme mais deprimente do que um comentário social realmente digno. Essa falta de tato cinematográfico para jogar com as variantes do drama do protagonista, atribuindo-lhe uma espécie de maldição fatalista, vai tornando o filme arrastado, previsível e, frequentemente, insuportável.
 
O Melhor: o empenho e a entrega de Valeiro Mastrandea
O Pior: arrastado e previsível
 
 
 Roni Nunes

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