“You, Me and Dupree” por André Gonçalves

(Fotos: Divulgação)
 
 

Sinopse

Um homem honesto e de sólidos valores vê-se incriminado em conveniente plano para atentar à vida do Presidente. Fugindo de todas as autoridades, o agente dos Serviços Secretos tenta provar a sua inocência e, em jeito de cereja no topo do bolo, fazer aquilo que sabe melhor: salvar a vida ao homem pelo qual se levanta diariamente às quatro da manhã há uns bons trinta anos.

Elenco

Matt Dillon, Kate Hudson, Owen Wilson

Realizado por Anthony Russo e Joe Russo

Crítica

“Two’s a company, three’s a crowd”. É a partir desta frase popular que se contrói a base de “You, Me and Dupree”, mais uma “comediazinha” entre as muitas que Hollywood sabe tão bem produzir – sobretudo para esta temporada, livre de grandes gargalhadas e repleta de humor reciclado, embora não seja particularmente de difícil ingestão. É simplesmente insossa e absolutamente descartável, mesmo em época de vacas magras em que sabe bem ir ao cinema só para escapar ao calor que se sente no exterior.

É certo que a fórmula de ter um terceiro elemento destabilizador de um casal não é propriamente inovadora, mas também é verdade que a comédia nem sempre tem que ser original para funcionar (embora ajude muito, é claro) e que muitos filmes conseguem mesmo surpreender com fórmulas já batidas – lembro-me de repente do remake de “Freaky Friday” ou de “13 Going on 30”, com a fórmula do “peixe fora de água”, como se costuma chamar. Perdoar-se-ia portanto em certa medida o elevado grau de previsibilidade das piadas e da própria película, desde que esse humor funcionasse e bem. O problema é que a reciclagem de piadas e situações é mesmo má e contam-se pelos dedos de uma mão as tentativas que sucedem – uma delas já depois dos créditos finais, o que é grave num caso destes.

A mediocridade do argumento não facilita a tarefa dos actores. O par composto por Kate Hudson e Matt Dillon não é tão credível quanto se poderia esperar, o que deita completamente abaixo o aspecto “romântico” do filme (dispensava-se o clímax piroso ao som do “Fix You” dos Coldplay…). Michael Douglas não compromete muito, mas também não está propriamente ao seu melhor nível. O eterno secundário Seth Rogen é outro que é completamente desperdiçado. Cabe ao emplastro de serviço Owen Wilson a tarefa de ir salvando o filme quando este bem precisa, mas não seria precisamente ele que deveria já ter outro tacto para escolher melhor os papéis e os projectos que financia (Wilson é também um dos produtores), sendo ele um argumentista já nomeado a um Oscar por um dos seus argumentos? No entanto, o grande mistério que permanece no final tem a ver com a actriz que representou o papel da bibliotecária Mandy… um “cameo” que ficou por resolver?

O melhor que há a fazer é não seguir o caminho de Dupree e deixar este casal de recém-casados em paz, procurando outro tipo de diversão nas redondezas e resistindo deste modo a um dos títulos portugueses mais felizes em meses (“Eu, Tu, e o Emplastro”). Quanto a Dupree (ou Randolph), é desejar-lhe as maiores felicidades para a sua potencial carreira como ciclista/escritor e que continue a inspirar as pessoas a encontrarem a sua “ness”, mas de preferência em outras paragens… 4/10 André Gonçalves

Últimas