“Silent Hill” conta a história de Rose (Mitchell), uma mulher que vai procurar desesperadamente pela sua filha na misteriosa cidade de “Silent Hill”.
Elenco
Sean Bean, Radha Mitchell, Kara Unger, Alice Krige
Realizado por Christophe Gans
Crítica
Quando se aborda a adaptação de um videojogo ao cinema, normalmente, e no que toca à crítica profissional, tende-se a ser condescendente com a base. Um exemplo claro disto mesmo é uma das críticas positivas a “Sillent Hill” no site rotten tomatoes, onde a pessoa que avalia, para defender que o filme não é mau de todo, afirma que é uma adaptação de um jogo e não de Shakespeare.
Infelizmente, e nos tempos que correm, cada vez se realça mais a questão das artes menores para alguns, sendo a literatura a suprema, e o resto pura paisagem. E mesmo dentro da literatura, normalmente os poetas são menosprezados no que toca à concepção novelesca.
Mas que não se pense que só os videojogos sofrem esta descriminação. A banda-desenhada é outro caso.
E começo por aqui a minha avaliação de “Silent Hill” pois creio que em termos de jogo (ou franchise do mundo da computação) este é um verdadeiro e que daqui a uns bons 500 anos será lembrado como uma verdadeira obra de arte – existindo certamente na altura uma nova forma de arte que será menosprezada pelos críticos e eruditos da altura.
Já “Silent Hill”, o filme, ele acaba por pegar no franchise e buscar as suas influências nos três primeiros jogos. Assim, a história e ambientes gerais vêm do primeiro jogo, as personagens são trabalhadas com foco no segundo jogo, e as explicações a partir do terceiro. Mas que não se pense que estamos perante uma mera cópia, surgindo então aquilo que distingue as boas das más adaptações, onde o respeito pelo ambiente geral não é silenciado pelo dedo de autor que nitidamente quis explorar mais a relação entre uma mãe e uma filha. E aqui o mérito vai para Gans, que melhorou muito desde o ultra estilizado “Pacto dos Lobos”
Em linhas gerais, “Silent Hill” (filme) segue uma mãe que após uma série de eventos que deixam a sua filha inconsciente – e a referir o nome de uma cidade, parte em busca de explicação para o estado da criança. Nesse caminho, e ao aproximar-se de um local chamado “Sillent Hill”, a jovem desaparece, cabendo assim a essa mãe procurá-la e descobrir o que está por trás de toda a história do local.
Aqui começa então uma intensa busca interdimensional, a que mais tarde o pai da criança de junta – tal como as autoridades locais. E é nesta interdimensionalidade que muitos descrentes abandonam o barco, tratando tudo apenas como um mero ensaio visual estonteante, ou até uma aventura gótica de uma mera Alice na pais das torturas.
Mas o que desagrada à maioria, é aquilo que mais me prende a este projecto. O uso das dimensões dos eventos, a frenética montagem e os cenários visualmente arrebatadores são a grande mais valia, cabendo à personagem interpretada por Radha Mitchel o último empurrão emocional para tornar este trabalho num verdadeiro assalto visual, sentimental e espiritual. E há momentos genuinamente criativos, especialmente no que toca à criação dos ambientes. Há imagens que parecem sair de uma mente distorcida, como se Tim Burton, Stephen King e Jigsaw tivessem formado uma estranha aliança e ensaiado as suas visões através de um filme.
Quanto aos pontos negativos, “Sillent Hill” só perde verdadeiramente quando sai para a dimensão “real”, onde um Sean Bean e a policia tentam perceber para onde foram a sua mulher e filha. Aqui, as coisas tornam-se mais banais, pouco estimulantes e mesmo desinteressantes. Como tal, “Silent Hill” é assim um filme irregular, onde as diversas dimensões não têm a mesma força, e o espectador acaba por apenas desejar ver mais sobre uma delas.
Mas nada disto não lhe retira o mérito, pois se há coisa que parcialmente foi mesmo conseguida, foi a recriação de um ambiente tenso e misterioso, esteticamente delirante e verdadeiramente aterrorizador. A ver………7/10… Jorge Pereira

