“Superman Returns” por Victor Melo

(Fotos: Divulgação)

Sinopse

Depois de uma misteriosa ausência de vários anos, Superman (Brandon Routh) regressa à Terra. Enquanto um velho inimigo tenta de uma vez por todas retirar-lhe todos os seus poderes, Superman tem de lidar com a dura realidade da mulher que ama, Lois Lane (Kate Bosworth), ter seguido com a sua vida. Está na sua mão reduzir a distância entre eles, mas Superman deverá, ao mesmo tempo, encontrar o seu lugar numa sociedade que aprendeu a sobreviver sem ele. Na tentativa de proteger o mundo que ama da destruição, Superman inicia uma épica viagem de redenção que o leva das profundezas do oceano aos confins do espaço sideral.

Elenco

Brandon Routh, Kate Bosworth, James Marsden, Frank Langella, Eva Marie Saint, Parker Posey, Sam Huntington, Kal Penn, Kevin Spacey

Realizado por Bryan Singer

Crítica

Após quatro sequelas que preencheram o imaginário de muita gente, uma nova aventura de Super-Homem chega aos cinemas. Bryan Singer realiza «Superman Returns», um dos grandes blockbusters deste Verão. Duas décadas depois, o homem de aço está de volta!

Na última cena do filme «Superman IV – The Quest for Peace», filmado em 1986, o Super-Homem encara Lex Luthor e diz-lhe: “Vemo-nos daqui a vinte anos”. Eis que exactamente 20 anos depois, ambas as personagens se reúnem novamente no grande ecrã.

«Superman Returns» (Super-Homem – o Regresso) chegou aos cinemas portugueses. Realizado por Bryan Singer, com um orçamento astronómico de 204 milhões de dólares, o filme envolveu-se numa teia de mediatismo desde o momento que foi anunciado. O enredo deste novo capítulo da saga é inventivo, numa curiosa forma de ancorar o afastamento da célebre personagem do universo cinematográfico. Após ter derrotado o General Zod e os vilões alienígenas, Ursa e Non, o Super-Homem desaparece. Um grupo de astrónomos tinha acabado de anunciar a descoberta de Krypton, o seu planeta de origem.

Essa informação levou o super-herói a enveredar numa jornada introspectiva, em busca das suas raízes, deixando a terra à mercê do destino. Ao encontrar o seu planeta, a desilusão apodera-se. Nada resta a não ser devastação e aridez. De regresso à terra, cinco anos depois, Super-Homem depara com vários cenários surpreendentes. Lois Lane tem um filho e encontra-se noiva de um familiar do seu patrão. E o seu arqui-inimigo, Lex Luthor, tem um novo e maquiavélico plano. Após ser libertado da prisão, devido à não comparência de Super-Homem no julgamento, Luthor vigariza uma idosa rica, com uma doença terminal. Com novos fundos, reúne uma expedição ao Árctico, ao covil secreto do Super-Homem, baptizado pelo seu pai, Jor-El, como «Fortaleza da Solidão». Nos recônditos daquele templo glaciar, Luthor apodera-se dos poderosos cristais de Krypton, que em conjunto com a água transformam-se em colossais massas de terra, e planeia desenvolver um novo continente, que irá submergir grande parte da América do Norte. Kryptonite – a única substância à qual o Super-Homem é vulnerável – é também utilizada nessa edificação.
Milhões de pessoas morrerão. Ou biliões, como Luthor frisa, veementemente. Conseguirá o super-herói ultrapassar a fragilidade física inerente à kryptonite e a emocional que parece advir de uma paixão subsistente?

Bryan Singer é um realizador habituado à temática super-heróica no cinema. Realizou «X-Men» e «X2», ambos com grande aceitação por parte da crítica e do público (já a terceira parte, realizada por Brett Ratner, foi amplamente contestada). Um dos seus projectos iniciais, «The Usual Suspects» («Os Suspeitos do Costume»), é considerado filme de culto em muitos circuitos cinéfilos.

No elenco, o encarnar do super-herói coube ao “desconhecido” Brandon Routh. Kate Bosworth («Remeber the Titans», «The Rules of Atraction», «Wonderland») dá corpo à famigerada jornalista, Louis Lane e James Marsden («Gossip», «X-Men», «The Notebook») é Richard White, o seu companheiro. Kevin Spacey, que dispensa apresentações, substitui Gene Hackman como Lex Luthor.

A nova aventura do Super-Homem, a quinta em termos cronológicos, beneficia do avanço tecnológico. Inúmeras sequências de efeitos especiais inundam o ecrã, revitalizando o mito com nítido fulgor visual.

Mas será que havia espaço no mundo do celulóide para esta inovação, ou denotar-se-á algum anacronismo temático? Será o renascimento positivo, ou devia ter-se deixado o mito imerso no seu eterno descanso? Os fãs o dirão… 6/10 Victor Melo

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