Sinopse
Nesta prequela vamos saber que jogos do destino transformaram Bruce Wayne no herói de Gotham City.
Elenco
Christian Bale, Katie Holmes, Michael Caine, Liam Neeson, Morgan Freeman, Gary Oldman, Ken Watanabe, Tom Wilkinson, Rutger Hauer.
Realizado por Christopher Nolan
Critica
2005 será um ano do cinema comercial, recordado por ter tido um Verão onde se mataram fantasmas e as sagas se reconciliaram com os fãs. Depois de George Lucas conseguir recuperar uma saga “Star Wars” (em claro sofrimento) com o excelente “The Revenge of the Sith”, Christopher Nolan (o talentoso senhor de “Memento” e “Insomnia”) deixa que a saga Batman… comece.
No final de “Batman Begins” fica a clara sensação que os filmes de Tim Burton e Joel Schummacher, que abordavam Bruce Wayne, não faziam qualquer justiça à personagem e que não capturavam o que o público pretendia de tais filmes. E para quem temer que Nolan tenha criado um filme demasiado escuro para o público geral, desengana-se: “Batman Begins” é tão espectacular e “blockbustariano” como qualquer “Spiderman” de Sam Raimi. Cristian Bale está fenomenal como Batman, entre outros motivos porque é um actor com forte personalidade mas que não retira a capacidade de Bruce Wayne ser apercebido pelo público como uma personagem nova – ao contrário de, por exemplo, George Clooney, que nunca se conseguia distanciar da imagem já muito enraizada que tem junto do público. O Batman de Bale é forte, duro e mau como Michael Keaton não conseguia ser, e definitivamente bem mais vivo e energético que o pálido Val Kilmer.
Mas à parte do excelente protagonista, “Batman Begins” é um puro todo-o-terreno do cinema comercial: tem excelentes cenas de acção, um clímax final impressionante, um elenco de luxo a funcionar à máxima força, uma fotografia única e muito bem conseguida, um tom negro e obscuro que dá imenso realismo a um relato que não se esquece de ser fantástico. “Begins” é um “blockbuster” que se leva muito a sério, e é acima de tudo um filme que desenvolve dramaticamente muito bem as personagens; tem uma história rica e complexa, mas ao mesmo tempo consegue ter metragem para fazer Batman enfrentar Scarecrow e Ra’s Al Guhl em clímaxes separados.
Um pequeno senão: Katie Holmes foi um erro de casting – a sua presença carece de carisma e a actriz pura e simplesmente não consegue fazer-se valer como a única personagem feminina num filme de homens (seria inclusivé maldade compará-la a Nicole Kidman em “Batman Forever”).
“Batman Begins” é tão rico na forma como desenvolve o seu enredo, tão espectacular e acima de tudo tão fiel e justo ao conceito de Batman, que torna os anteriores incompletos em comparação.
Burton valorizava muito o fantástico e o gótico, Schummacher o espectáculo e a fantasia. Nolan tem tudo no filme e está uma promessa de sequela que surge bem no final de pôr os cabelos em pé. Batman começou, de facto, e Sam Raimi terá que sacar muitas surpresas em “Spiderman 3” para se manter ao nível da concorrência. 9/10 José Pedro Lopes
Critica
Longe da abordagem estilizada de Tim Burton (“Batman” e “Batman Returns”) ao universo do cavaleiro das trevas, e a anos-luz da estética colorida e excessiva de Joel Schumacher (“Batman Forever” e “Batman & Robin”), Christopher Nolan apresenta-nos um Batman perigosamente real, tanto quanto um super-herói sem poderes mascarado de morcego pode ser.
Nolan, um jovem realizador britânico que se destacou com filmes intensos como “Memento” ou “Insomnia”, tem em “Batman Begins” o seu primeiro blockbuster (curiosamente tal como Tim Burton no primeiro “Batman” que realizou) e a oportunidade de dar nova vida a um franchise seriamente comprometido pelos filmes de Schumacher. Com um realizador prometedor, um elenco de luxo, e os meios que apenas um orçamento milionário pode oferecer, as expectativas para este filme eram portanto elevadas, até porque a fasquia de qualidade para os filmes de super-heróis subiu bastante com os trabalho de Sam Raimi ou Ang Lee. “Batman Begins” cumpre todas as expectativas, por vezes com brilhantismo.
A história do nascimento do mito de Batman é contada com muita fluidez, os diálogos são cativantes e as personagens interessantes. Começando por Bruce Wayne, que encontrou em Christian Bale um interprete perfeito, mais do que como Batman em que oscila um pouco. A história de Wayne é novamente contada neste filme (haverá alguém que não a conheça ainda?), mas a favor de Nolan e de Bale está o facto de ganhar em profundidade e interesse para as outras versões.
“Batman Begins” é finalmente um filme sobre Batman, em que este não só não perde protagonismo para os vilões como ganha complexidade e novas dimensões. Também as personagens de Alfred (Michael Caine) e James Gordon (Gary Oldman) são mais aprofundadas e importantes, o primeiro providenciando algum “comic relief” e o segundo representando a lei legítima e honesta da cidade de Gotham. Obviamente, o excelente elenco é um ponto muito positivo deste filme: além dos já referidos Bale, Caine e Gary Oldman, Liam Neeson, Morgan Freeman, e Rutger Hauer dão vida às personagens de forma quase sempre perfeita. O mais desconhecido Cillian Murphy interpreta um vilão muito interessante, fisicamente frágil mas com qualquer coisa de arrepiante na sua arrogância fria, e o veterano Tom Wilkinson compõe uma espécie de “padrinho” memorável. No meio deste elenco a doce Katie Holmes é claramente o elo mais fraco.
“Batman Begins” mantém-se fiel ao ambiente sombrio que caracteriza a personagem e Gotham City. Gotham, um dos expoentes máximos das cidades cinematográficas, tem aqui uma interpretação diferente, mais próxima das grandes metrópoles actuais (longe do gótico de Tim Burton), mais caótica e suja nas suas áreas degradadas.
Apesar de Nolan ter feito um bom trabalho na realização, muito segura e fluída, esta é uma história de super-heróis e o argumento não foge às habituais características/armadilhas do género, mas perdoa-se pelo bem que sabe. Por outro lado, talvez devido às limitações de mobilidade impostas pelo fato, as cenas de luta corpo a corpo que envolvem Batman são filmadas com planos muito próximos e em sequências muito rápidas, resultando confusas, uma moda que parece que veio para ficar mas podia ter sido evitada num filme de acção em certos pontos tão tradicional.
Tal como “Sin City”, “Batman Begins” é inovador na abordagem que faz à banda desenhada, apesar de seguir o caminho oposto: enquanto em “Sin City” optou-se por transpor literalmente a bd para cinema, excluindo qualquer preocupação com a “realidade”, em “Batman Begins” a preocupação com o realismo marca todo o filme (aliás, os efeitos por computador foram muitas vezes preteridos a favor do uso de miniaturas e cenários construídos para conseguir esse efeito).
Os fãs dos “comics” vão certamente gostar, mas também achar que há espaço para fazer melhor porque o trabalho desenvolvido por Nolan pede uma sequência para realizar todo o seu potencial. E porque nos deixou com vontade de ver mais. No seu género, “Batman Begins” é um grande filme, com ingredientes para agradar a todos. 9/10 Patrícia Gomes

