Uma mega-produção de Steven Spielberg com um mega orçamento de 200 milhões de dólares e que será certamente um dos sucessos comerciais do ano. Steven Spielberg, mediante argumento adaptado de David Koepp, vai trazer para os dias de hoje a aventura escrita por H.G. Wells, numa batalha entre humanos e extraterrestres pela sobrevivência dos humanos, vista pelos olhos de uma normal família.
Elenco
Tom Cruise, Tim Robbins, Miranda Otto, Dakota Fanning, Justin Chatwin, Rick Gonzalez, David Alan Basche
Realizado por: Steven Spielberg
Críticas
Um romance (HG Wells), um programa de rádio (Orson Welles), um filme (Byron Haskin), um remake (Steven Spielberg). “The War of The Worls” é desde a sua concepção um dos mais apetecíveis trabalhos sobre uma invasão alienígena.
Apesar de todas estas obras terem bastante fama, nenhuma ficou na história como o programa radiofónico de Welles. Esse programa chegou a criar o caos, e muitos dos ouvintes começaram mesmo a vivificar a invasão.
Uma década e meia depois, chega a versão cinematográfica que primava por uma forte componente científica e documental, contendo um teor religioso na resolução final.
Cinquenta e dois anos depois, um dos maiores cineastas vivos, Steven Spielberg, volta a pegar na obra, que pelo terceiro século consecutivo é apresentada ao grande público. A história é bastante simples. Desde sempre os aliens espiam-nos, ambicionando conquistar e dominar o planeta Terra. Para isso eles sabem o que têm de fazer: chegar, derrotar-nos, vencer.
A sua chegada coincide porém com os dias em que Ray Ferrier (Tom Cruise) tem de tomar conta dos filhos: Robbie (Justin Chatwin) e Rachel (Dakota Fanning).
Quanto a destruição e dizimação das populações começa, só resta uma coisa a Ray: fugir. Assim, a família parte em direcção a casa da mãe das crianças e começa uma aventura que tem tanto de dramático como de reunificação familiar. “The War of The Worls” é uma portentosa aventura que tenta, através das relações e interacções entre os membros desta família, ter uma segunda dimensão estrutural. Assim, temos de um lado um ataque devastador por parte dos aliens, do outro um drama familiar que acaba por ser também uma jornada de unificação. Desde sempre a família americana, e os seus problemas, foi retratada por Spielberg. Porém essa obsessão, nesta obra em particular, torna-se redundante e em nada contribui a não ser para, mais uma vez, estereotipar conteúdos.
Agora os fãs de Spielberg preparem-se, pois vem aí um sacrilégio. Por vezes lembrei-me de “Day After Tomorrow”, onde Dennis Quaid – que nitidamente descurava a sua família devido à sua profissão de investigador – parte em busca do seu filho numa jornada de reunificação familiar. Em “War of The Worlds”, cabe a Tom Cruise mostrar o mesmo. Que é responsável e que é capaz de merecer que os seus filhos o tratem como pai e não simplesmente Ray. Poderia dizer “n” filmes (desastre) que assim funcionam (dramas familiares), e não é por este ser de quem é que vou dar um tratamento “Vip” – nem seria justo.
. No que concerne à “guerra” em si, e como já afirmei anteriormente, o filme cumpre através de brilhantes efeitos visuais, capazes de prender devido à acção e ambiente de mistério. Por vezes caímos mesmos no thriller, mas nenhum momento é tão conseguido como por exemplo em “Signs”. O facto de os Tripods serem apresentados muito cedo ajudam a que esse mistério se perca prematuramente, havendo um ressuscitar do ambiente quando Ray abriga-se na cave de Ogilvy, uma estranha personagem interpretada por Tim Robbins.
A partir daqui, e até à resolução final, tudo parece demasiado simplista, quer em termos da resolução da batalha como em termos de reconciliação familiar. Há também pontos do argumento que me parecem falhar, especialmente no término do filme. (não vou falar deles, para já, de forma a evitar a divulgação de “spoilers”)
Realce técnico para a fotografia deste filme, que a partir de certa altura se torna fulcral e contribui para o tal reavivar do mistério. No que diz respeito à banda sonora, esta é tensa e ajuda a envolver os espectadores nos diversos momentos da acção. Porém não existe nenhum tema que marque substancialmente a obra, como existiam no fraco “ID4” ou mesmo em “Signs”.
Por estas razões, e tendo em conta quem realizou esta obra, não deixa de ser um pouco triste o sabor a desilusão no final. Seriam as demasiadas expectativas? É possível, o certo é que o filme tinha tudo para ser mais e contentou-se com pouco… Se a nível visual até chega a ultrapassar “Day After Tomorrow”, a nível familiar fica a léguas de por exemplo “Signs”, o filme com o qual parecem querer identificá-lo – reduzindo-o acima de tudo a uma tragédia familiar … …6/10… Jorge Pereira

