Sinopse
“Capuchinho Vermelho – A Verdadeira História” (“Hoodwinked” no seu título original) pretende, tal como o seu título sugere, contar-nos uma nova versão do clássico conto infantil da Capuchinho Vermelho e do Lobo Mau
Elenco (vozes)
Glenn Close, Anne Hathaway, Jim Belushi, Patrick Warburton, Anthony Anderson
Realizado por Cory Edwards, Todd Edwards, Tony Leech
Crítica
Após o sucesso gigantesco de “Shrek” e da sua sequela, parecia inevitável surgir um novo filme de animação que tentasse dar outra frescura ao velhinhos contos de fadas. E ele aqui está.
“Capuchinho Vermelho – A Verdadeira História” (“Hoodwinked” no seu título original) pretende, tal como o seu título sugere, contar-nos uma nova versão do clássico conto infantil da Capuchinho Vermelho e do Lobo Mau, recorrendo para tal a um método que todos parecem associar a “Rashomon” de Akira Kurosawa. A história sofre então um tratamento policial em que cada uma das personagens principais (a Capuchinho Vermelho, o Lobo Mau, a Avózinha e o Lenhador) narra-nos a sua versão da história, numa desconstrução minimamente hábil da história original que ouvimos quando éramos mais pequenos, acompanhada de alguns momentos musicais e uma ou outra tirada mais certeira pelo caminho, embora nunca causando as fortes gargalhadas que o filme do ogre verde causava.
E esse acaba por ser um dos seus grandes problemas. Ou seja, se há aqui uma criatividade inegável e uma vontade similar à de “Shrek” em subverter tradições, esta nunca vem acompanhada de um humor capaz de desfazer o espectador mais sisudo, ficando-se por uns quantos sorrisos com diálogos minimamente inteligentes que lá vão aparecendo a espaços. E o filme dificilmente acaba por satisfazer completamente qualquer das faixas etárias que o visionam – por um lado, será demasiado esperto para um público mais infantil, e por outro é demasiado inofensivo para os mais crescidos que ficam insatisfeitos por este nunca “pisar o risco”, ficando-se apenas pela subversão mais limpinha.
No entanto, é bom referir que a qualidade de animação, apesar de não estar exactamente ao nível das grandes produções do género, não embaraça ninguém e é até bastante impressionante para uma produção que custou uns míseros 15 milhões de dólares – o que me faz pensar que talvez se esteja a desperdiçar demasiado dinheiro no cinema de animação computadorizada; ou então, é nos outros 50 a 70 milhões que reside a diferença de “qualidade”…
Uma nota final para a dobragem portuguesa que se encontra mais uma vez bastante aceitável, embora sem quaisquer rasgos de brilhantismo e não ofuscando portanto a ideia de ver a versão original.
Em suma, se tiver que levar crianças ao cinema, “Hoodwinked” torna-se um objecto agradável de se ver para ambas as partes, mas pouco memorável a longo prazo. Por isso, se não se sentir obrigado, talvez seja preferível esperar que ele chegue ao clube de vídeo (ou até ao televisor) mais perto de si… …..…5/10…André Gonçalves

