Sinopse
30 anos depois do original de Tobe Hooper, o mito do cinema de terror, “The Texas Chainsaw Massacre”, está de volta num “remake” com produção de Michael Bay (“Pearl Harbor”, “Armageddon”). “Massacre no Texas” é baseado numa história verídica. Um louco chacinava pessoas usando uma máscara feita com a pele das suas vítimas. Um êxito enorme de bilheteira este ano nos Estados Unidos.
Elenco
Jessica Biel; Eric Balfour; Jonathan Tucker; Erica Leerhsen; Andrew Bryniarski
Realizado por Marcus Nispel
Crítica
Saber que um dos maiores clássicos do cinema de horror ia ser readaptado com o dedo de Michael Bay (Bad Boys 2, Armageddon e Pearl Harbour) era o suficiente para me aterrorizar. Porém há sempre que ver para crêr e sou daquelas pessoas que à partida não dizimo um filme porque foi feito por esta, ou aquela pessoa. Estamos no Texas e cinco jovens viajam a caminho de um concerto. A meio de um caminho acidentado surge uma rapariga que eles quase atropelam. Em estado de choque, a jovem é colocada na carrinha e tudo o que diz não tem qualquer sentido. Logo aqui se denotam algumas diferenças em relação ao produto original. Há personagens novas, destacando-se o desaparecimento do jovem que andava numa cadeira de rodas – agora substituido por outro cromo com a mesma eficácia. A meio do caminho, e para espanto de todos eles, a jovem rapariga dá um tiro na cabeça. Ao contrário do cliché normal no cinema elas não tentam esconder o corpo –porque a policia não iria acreditar neles… blá..blá. O caso é o oposto e o facto de avisarem o xerife local é que cria toda a carnificina que se segue. Pelo meio continuam a surgir personagens novas, sem que denotemos um choque cinematografico entre as duas versões. Eu confesso que estava a gostar bastante do filme, principalmente pois mostrava uma identidade própria com alguma dinâmica, carregada de estilo e com R. Lee Ermey em grande estilo, a fazer lembrar a sua personagem em “Full Metal Jacket” (como Sgt. Hartman).
Não se tratava dum plágio embelezado – como “The Ring”- e só por isso achei que a ideia estaria a avançar bem. Dá-se então o inverso de uma das máximas que muitas vezes usamos: “Depois da tempestade vem a bonança”. O problema é que a bonança foi mesmo o inicio pois a partir de certo ponto o filme perde qualquer tipo de presença estilistica e até se humilha com finais semelhantes a outras fitas.
Convenhamos uma coisa. “Massacre no Texas” tornou-se um filme de culto porque estava carregado de ambiente e personagens muito avançadas (no género) para a época em questão. Aqui isso não existe. Por outro lado, e a determinado ponto do filme, ele passa a ser um filme sobre o Leatherface, uma das bizarras criaturas que fez o primeiro filme chegar onde chegou.
Para além disso denota-se o complexo “Lara Croft” em todo o filme. Jessica Biel é uma rapariga lindissima mas o seu corpo é usado abusivamente como o de Angelina Jolie foi em todos os filmes Tomb Raider. Qualquer plano em que entre temos um grande “focus” ao seu peito…enfim… coisa para atrair os teens de um país que quase entra em guerra por um mamilo rodeado por um sol!!!
Para piorar o gore é cortado em demasia e até se “desperdiçam” mortes (como o da rapariga cortada por Leatherface, mas que só vemos é penas a voar!!!). Mas a estocada final ainda vinha a caminho. Há uma sequência “ripada” de “Blair Witch Project” (!!!) como se tentassem ligar um clássico dos “nossos” tempos a um clássico de outra geração. Absurdo e quase humilhante.
Deixo então esta questão. Que dizer de um filme sem qualquer ambiente e com personagens em fila tapadas por uma principal que nem tiveram a decência de colocar a “dançar” ao sol? (como brilhante Tobe Hopper o fez no 1º)
Pois… É apenas o massacre de um clássico e a nascimento de uma saga teen!!! ….
4/10 …. Jorge Pereira
Crítica
Pediram-me que escrevesse uma crítica a este “remake” do velhinho “Texas Chainsaw Massacre – O Massacre no Texas” por uma razão muito simples e elucidativa: o meu ponto de vista é diferente, dado que nunca vi o original. Uma falha que prometi a mim próprio colmatar o mais rapidamente possível. Mas uma falha que aqui serve perfeitamente o propósito de apreciar um filme sem qualquer referência que me possa, de alguma forma, influenciar. Algo perfeitamente natural.
“Texas Chainsaw Massacre” (esta versão de 2003) conta a história de um grupo de jovens que se embrenha pela paisagem bucólica do Texas mais interior. Aquele onde pequenas povoações podem esconder os mais incríveis e bizarros mistérios. Onde a canícula atinge degraus de inferno e o zumbido das moscas não augura bons ventos. Obviamente que a rapaziada não foi escolhida ao acaso. Temos um par de meninas cujos glúteos e glândulas mamárias estão bem acima da média (especialmente as de Jessica Biel) e dois rapazes para delírio das fãs mais novas desta geração “teen” de actores (Eric Balfour tem mais sucesso nas suas aparições na televisão, onde já foi visto em “Sete Palmos de Terra” e “24”). Para espelhar o típico “nerd” americano há também o personagem mais idiota, menos apelativo fisicamente.
A pandilha encontra-se em maus lençóis quando, ao dar boleia a uma rapariga em estado de choque (o porquê vem depois, quando todos começarem a entrar em estado de choque também), esta acaba por se suicidar dentro da carrinha onde todos viajam. Como bons cidadãos, a juventude pára no vilarejo mais próximo para pedir ajuda. Algo que nunca sucederá, porque os habitantes da terra não são indivíduos normais. Longe disso.
“Texas Chainsaw Massacre” é um thriller de terror muito ligado ao movimento a que eu geralmente apelido de “teen terror”. Ou seja, aproveite-se ao máximo o visual dos protagonistas, dê-se ao espectador um ou outro susto à la carte, adicione-se algum sangue para não decepcionar os fãs nostálgicos do gore, et voilá. Temos filme para durar umas quantas sequelas, se o Box Office americano assim o desejar (e tudo indica que sim).
Aparte o estilo, a fotografia, e alguns planos certinhos e bem compostos, este massacre poucas novidades tem para oferecer ao espectador mais novo e desconhecedor do original. Depois de Screams, Jeepers Creepers, Sei o Que Fizeste o Verão Passado, Último Destino, e tantas outras obras feitas com o mesmo intuito (assustar adolescentes) é preciso mais que isto para conseguir surpreender.
No entanto, destaco precisamente um aspecto que os puristas do original repudiam. Se a história é baseada (mesmo que vagamente) em factos verídicos, as imagens a preto e branco no princípio e final do filme (escandalosamente inspiradas no “Projecto Blair Witch”) até vêm dar alguma propriedade à voz séria do narrador, que a todo o custo nos tenta vender o peixe, qual anúncio de filme série B dos anos sessenta. Ajuda a criar um clima final e, obviamente, a dar azo para que as sequelas se sigam (para entenderem este comentário há que ver essas cenas finais).
Pessoalmente Leatherface (este Leatherface) não me amedronta. Não me arrepia nem provoca calafrios. Quanto ao original, esse, até na famosa cena final (provavelmente os únicos segundos que já vi do filme) é um personagem de antologia, e mostra um homem (?) caótico, desregrado, sujo. Algo que a estilização do século XXI parece que destruiu. De qualquer forma, um filme a ver para apreciadores do género, mas sem grandes expectativas. ….
5/10 …. Nuno Centeio
Crítica
Por vezes um fanático do cinema tem de estar preparado para ser castigado. Castigado por gostar demasiado de um filme, ou de um género de cinema, e preparado para pagar por dar tanta importância aquilo que quem não vive e respira cinema apenas considera de um mero entretenimento.
Dentro de um apreciador de cinema, sou um entusiasta do terror, e dentro de um apaixonado cinema amador sou um adorador de “Massacre no Texas” de Tobe Hopper. Apenas e só porque “Massacre no Texas” é um filme de baixissimo orçamento, feito sob inúmeras dificuldades e apenas pelo gosto ao cinema, o que vale ouro: é brutal, é perturbador e tem um ritmo e um “feeling” único. Não é um filme violento gráficamente, nem tem uma história de muitas voltas, ou efeitos especiais, ou música irritante. Nem sequer os actores são bons. É só um filme todo coração na forma, e perverso na mensagem.
Marcus Nispel, sob a ordens de Michael Bay, trouxe o massacre de volta, neste remake, e claro está que depressa se conclui que este filme nunca poderia ser nem modesto nem simples. Ser mais comercial era um pressuposto aceite, e até alterações pesadas eram de esperar (se o filme fosse literalmente igual não era nada nada bom… desculpa Gus Van Sant!).
E durante os primeiros 20 minutos, Marcus Nispel dá espectáculo. Os jovens apanham na estrada uma jovem que se suicida (e não um dos monstros da mítica família como no original)- São também 20 minutos perspicazes e mexidos, e os jovens vão para a casa de todos os males não por pura curiosidade (como no original), mas porque os maus são mesmo maus. Somos empurrados de um lado para o outro junto com as personagens, e por instante já ninguém se lembrava nem de “Wrong Turn” nem de “House of 1000 Corpses”. Quando o Leatherface fecha a porta de metal e o terror começa, estavamos perante um clássico renascido. Vai comecar o espectaculo… ou não. Todo o medo e pânico do original dão lugar a “setups” e perseguições tipo “Scream”, bem longe do espirito original, e o final depressa descamba em terror descartável e aborrecido. Leatherface é quase que o único familiar aproveitado e torna-se num verdadeiro Jason Vorhees.
Vou acrescentar de seguida algumas falhas gravíssimas que este filme comete:
a) Não existe no filme qualquer sequência de jantar com a família (cena pela qual o filme foi imortalizado). A cozinha do Leatherface foi substituida por uma base sombria e elaborada, semelhante à de assassinos de filmes como “Silence of the Lambs”. Não existe nenhuma dança macabra no final. b) O filme copia indescriminadamente “Full Methal Jacket” (uma homenagem fora do sítio, onde o próprio actor do filme quase que repete a personagem de militar mau) e acima de tudo “The Blair Witch Project” (inaceitável cena final que literalmente é roubada do filme-revelação de 1999). Poderia estender uma lista de queixas infinitas, que provavelmente afastariam o leitor de compreender o meu objectivo. Talvez “Massacre no Texas 2003” seja agradável de ver, porque não é um filme que não funciona. Ele funciona relativamente bem. Mas não passa de um produto banal e plagiado de inúmeros sitios, que tem o desplante de colocar um nome clássico no título apenas para conseguir vender mais.
Michael Bay – hábil em produtos de divertimento fácil como “Bad Boys II” – mostra a relevar que fora da comédia de acção é um desastre. Nem estes anos nos conseguiram fazer esquecer as horas de vida que perdemos a ver o ridículo “Pearl Harbor”. É pena que o Sr.Bay e os próprios criadores do filme original tenham aprovado um “remake” assim…
Concluíndo, “Massacre no Texas” não foi re-feito, foi apenas usado. Lamento ter continuado fã dos filmes para ver isto.
1/10 …. José Pedro Lopes
Crítica
“Texas Chainsaw Massacre”de Tobe Hopper de 1974 é uma daqueles filmes que está indiscutivelmente colocado na galeria dos clássicos de terror. A história de “LeatherFace”, inspirada na experiência do serial killer americano Eg Gein, preso em 1957 é um filme peculiar. E é-o porque, embora o filme lide com canibais, serras eléctricas e um terror carnívoro, intestinal, acaba por ser um sublime exercício de contenção. Tal como muitos clássicos do terror é a descoberta do desconhecido, o medo, a sugestão psicótica que é explorada.
Ora, em 2003 a New Line decidiu rever a história do cinema e seus sucessos e resolveu parar neste “Chainsaw”, um filme que foi produzido com um orçamento de 140 mil dólares e rendeu 30 milhões. Achou que seria uma boa ideia refazê-lo para as gerações mais jovens e assim nasceu este remake de “Texas Chainsaw Massacre”.
O curioso quanto a este filme é que embora tenha algumas sequências de terror bem feitas e que assustam genuinamente, e que provavelmente se integradas numa história original daria um filme de terror interessante, o que é certo é a sombra do original não deixa o filme voar mais alto. È inegavelmente um “teen horror movie” onde o terror é apenas umas das preocupações. Os jovens são bem parecidos, cools, mandam piadas e os clichets são recorrentes. A carrinha que não pega, o falso susto, o “there is something there” line e muitos mais.
O filme começa relativamente bem com imagens a preto e branco, granulosas, da recolha de provas por um polícia do que ficou do massacre no Texas, numa ambiência própria do filme de 1974. Mas a colagem da cena seguinte com a música “Sweet Home Alabama” e um grupo de hippies numa carrinha a atravessar o Texas, a dizer piadas e a fumar charros, deixam antever que o filme não mais vai seguir por um caminho que não o da transigência ao filmes de adolescentes. Os jovens dão boleia a uma rapariga no meio da estrada, que se mata na carrinha. Em busca de ajuda, vão até a vila Fuller no Texas de onde terão imensa dificuldade de sair.
A reinterpretação desta história, sinal dos tempos, compensa o terror psicológico com o mostrado. E isso é muito visível na forma como filme gere mal a tradição do seu antecessor. Onde deveria explicar não explica, onde não deveria, fá-lo de forma despropositada. Certos buracos de argumento, como a falta de explicação mais pormenorizada sobre quem são todas aquelas pessoas que ali estão na vila com comportamentos estranhos, só ficam preenchidos se tivermos em conta o filme original. Já por sua vez o que não tem explicação, a actuação de Leatherface (e todos os fãs de terror sabem que o mal sem explicação é o mais eficaz, olhem “Clockwork Orange”) e a origem do seu mal tenta ser, ridiculamente justificada com traumas de infância.
E depois claro mostra-se demais nesta estreia da realização de Marcus Nispel. Nós não queremos ver tanto sangue, tentos membros decepados. Não queremos ver o anel de noivado que um dos rapazes iria oferecer à namorada e que larga ao momento da morte. Não queremos ver uma ratazana furiosa que apenas serve para os protagonistas gritarem um pouco mais e suarem. Não queremos que chova para vermos as maminhas de Jessica Biel.
É um pouco triste ver um clássico do terror não destruído mas simplesmente reduzido à vulgaridade. Um filme onde não havia o mínimo de transigência e que agora foi transformado num veículo para convenções do terror moderno mainstream. 4/10 …. Carlos Natálio