“Temporada de Patos” por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Temporada de Patos marca a estreia na realização de Fernando Eimbcke, cineasta e também argumentista que, com uma obra deste calibre, eleva inevitavelmente as expetativas para os trabalhos seguintes. Estamos num domingo, num apartamento qualquer de uma cidade mexicana. Dois jovens ficam sozinhos, acompanhados apenas por uma babysitter muito em voga: a Xbox. Os problemas começam quando falta a luz e esta juventude se vê, aborrecida, à espera que volte — como se mais nada de interessante pudessem fazer num domingo.

Entretanto, pedem uma pizza e a vizinha do lado aparece a pedir para usar o fogão da casa deles (o dela avariara). Quando damos por nós, já são quatro pessoas — os dois jovens, a vizinha e o entregador de pizzas — a partilhar aquela tarde tediosa, interagindo de formas inesperadas. Conversas, cozinha, videojogos: tudo parece mais estimulante do que as vidas que têm. À medida que a relação entre os quatro avança, também as conversas se tornam mais íntimas. Vêm ao de cima possíveis adoções, problemas familiares, existências semi-destruídas e ambições frágeis.

Esta obra singular de Fernando Eimbcke confirma que o cinema mexicano segue no bom caminho, depois de, nos últimos anos, ter dado ao mundo sucessos como O Crime do Padre Amaro, Amores Perros ou Y Tu Mamá También. Simples, profunda e plenamente conseguida, Temporada de Patos impôs-se no IndieLisboa como uma das obras mais marcantes do festival.

A subtileza dos pormenores de realização, aliada à riqueza dos diálogos, sustenta um filme que, através da sua visualidade baça e monocromática, mergulha o espectador no mesmo ambiente tedioso e tenso que sufoca as personagens.


 

 
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