Sinopse
Já passou uma década desde que John Connor (Stahl) impediu que ocorresse o Dia do Julgamento, salvando a humanidade da destruição maciça. Agora com 25 anos, Connor vive “fora de este mundo”.
Sem telemóvel, casa, cartão de crédito e sem emprego, Connor está assim protegido pois não existe nenhuma ficha com os seus dados. É como se não existisse.
Mas um novo exterminador está a caminho. O T-X (Loken), é a mais ponderosa arma mortífera que a Skynet alguma vez criou. Enviada para o passado para destruír John Connor, só uma coisa pode impedir o sucesso da missão; um exterminador mais uma vez interpretado por Arnold Schwarzenegger.
Conseguirá a humanidade resistir a mais esta tentativa das máquinas em aniquilar o líder da resistência?
Elenco
Arnold Schwarzenegger, Nick Stahl, Kristanna Loken, Claire Danes, Alana Curry, Timothy Dowling, Mark Famiglietti, Mark Hicks, Jerry Katell, Brian Sites
Realizado por Jonathan Mostow
Site Oficial
Trailer
Crítica
“T3” tinha todas as condições para fracassar. Pessoalmente, era apologista desta maldição. Arnold Schwarzenegger já não é o ícone dos filmes de acção, estatuto que granjeou há quase duas décadas. James Cameron recusou dirigir esta segunda sequela porque preferiu enveredar por novos projectos. Linda Hamilton não quis participar em mais um franchise do famoso personagem. E Edward Furlong, o actor que deu vida em “T2” a John Connor com 12 anos de idade, futuro líder da resistência humana contra as máquinas da Skynet, vive actualmente uma fase degradante da sua vida, imerso em drogas e álcool.
Os produtores Mario Kassar e Andrew Vajna tinham pela frente uma autêntica odisseia. Se o primeiro “Terminator” foi um grande êxito de bilheteiras na década de 80, e lançou a carreira de Cameron e Schwarzenegger, “Terminator 2” bateu dez anos depois todos os números do Box Office, criou uma revolução nos efeitos visuais nunca antes vista, e marcou toda uma geração pelo mundo inteiro.
Então como fazer para que a fonte voltasse a dar lucro? Em primeiro lugar um bom realizador. Jonathan Mostow dera cartas no género de acção em filmes como “U-571” e “Breakdown”.
Depois substituir de maneira credível os papéis de Linda Hamilton (cujo personagem morreu nos dez anos que passaram entre a primeira e a segunda sequela) e de Edward Furlong. Para este, vórtice do enredo, transpôs-se a história uma década mais à frente, precisamente para os nossos dias, onde o actor Nick Stahl (“In The Bedroom”) substitui o jovem imberbe por um Connor adulto e alienado da sociedade. Este John Connor viu a data do dia do julgamento pelas máquinas passar, e tudo se manteve em paz. Mas o fantasma da sua mãe permanece. Ele desconfia que algo poderá ainda ocorrer, e por isso vive sem identificação, sem casa, deambulando por empregos precários onde não façam muitas perguntas. Ou seja, incontactável para a Skynet.
Também há que inserir Arnold na história, novamente como o exterminador reprogramado pela resistência no futuro para salvar a vida de Connor. Só? Não, os seus objectivos nesta sequela são mais abrangentes. O T-101, agora ainda mais obsoleto, tem como missão proteger também os aliados mais chegados de Connor e … a sua mulher. É aqui que entra o papel de Claire Danes, veterinária, com namorado, conhecia Connor dos tempos de escola mas nunca mais o viu. No entanto vê-se de repente no meio de uma guerra que aparentemente não é a sua.
Então quem é o mau da fita? Quem pode fazer esquecer os efeitos especiais do T-1000 (Robert Patrick)? Um robot que detinha o poder de liquidificar o seu próprio metal, transformando-se em quem quisesse, controlando cada uma das su as moléculas. A solução tem nome feminino: Kristanna Loken. Actriz com uma beleza invulgar, conhecida da televisão (“Philly”). Loken personifica o mal, um robot T-X, também coberto em metal líquido mas composto por um endo-esqueleto. Uma mescla do que tornou famosos os seus predecessores, mas com um aditivo, as curvas femininas da lindíssima Kristanna.
E porque vieram estes terminators do futuro? Não tinha sido evitado o fim do mundo? Segundo Mostow e os argumentistas John Brancato e Michael Ferris (“The Game”, “Femme Fatale”), não. Foi apenas adiado, porque o futuro é uma inevitabilidade, o destino.
“T3” mistura doses de acção que não envergonham a sua pesada herança. Aliás, a Industrial Light & Magic (ILM) faz questão de recordar que todos os robots que aparecem no filme superam a tecnologia até aqui existente, inclusivé na própria NASA.
Jonathan Mostow fez um trabalho descomprometido, com algum humor à mistura e muitas piscadelas de olho aos outros filmes da série (há uma fugaz aparição do psiquiatra que internou Linda Hamilton em “T2”). Schwarzenegger, talvez até pela sua idade, mostra um terminator realmente obsoleto, credível, que lhe assenta como uma luva. Nick Stahl não podia ter sido melhor escolhido para o papel de Connor adulto, e Claire Danes só vem abrilhantar ainda mais o elenco. A nova exterminadora, essa, é implacável, fisicamente perfeita para o papel, emocionalmente frígida para o papel de um robot.
A história, um dos maiores temores dos fãs da saga, não é absurda. Aguenta-se muito bem, evolui alguns clichés dos outros filmes, é certo, mas sabe ser original, e apresenta um final digno e surpreendente.
Numa comparação talvez algo bizarra, colocaria este “T3” na posição que a segunda sequela de “Parque Jurássico” foi para os outros dois. Consistente, embora com alguns laivos de série B (com orçamentos de série A)….
7/10…
Nuno Centeio
Crítica
Mais de uma década depois de “T2 – O Dia do Julgamento” ter redefinido o cinema de acção e os limites dos efeitos especiais chega-nos este “Rise of the Machines”, que supera bastante as espectativas.
“T3” é um filme totalmente perfeito a nível dos efeitos visuais, com momentos assombrosos, mas em nada é inovador como o segundo. “T3” é contém também soberbas sequências de acção, ainda mais bem coordenadas e ‘impactantes’ que as do segundo, ainda que não inovadoras como as deste. Podia continuar com este discursos em relação a aspectos sem conta, e a conclusão tirada seria que “Terminator III” é um grande filme, correcto e perfeito em tudo, um entertenimento por excelência, mesmo que não assume a função de filme histórico ou filme referência que os dois primeiros conseguiram: o primeiro para o cinema de acçãosci-fi de baixo orçamento, e o segundo como protótipo do blockbuster.
Sequências de acção fenomenais aparte, “T3” surpreende por ter mais do que um trunfo – sendo principal uma história com variações interessantes e algumas surpresas. A dimensão épica da saga é plenamente aproveitada, e os fãs incondicionais não se irão sentir traídos: quer pela forma como a história está bem desenvolvida, quer pela forma como o filme é integro. Há uma tendência para que sequelas tardias como esta percam a sua identidadade própria – algo que não se passa aqui: se todos os filmes de acção nos dias de hoje tem de ter sequência “a la matrix”, “T3” não.
E isso é de criar inveja. Inclusivé, porque a sequência de perseguição de “T3” é dez vezes mais emocionante que a entediante sequência da autoestrada de “Matrix Reloaded” (onde o uso de truques de câmara e computador são usados até à redundância). A acção neste filme parece real, e é de um prazer enorme sentir o impacto dos combates entre o Terminator e a Terminatrix – uma vilã perfeita, mas que tal como frisei em relação a outros items, não inova sobre o segundo filme.
Uma única lamentação – Edward Furlong não regressar como John Connor. É uma pena, especialmente para a recta final, onde teriamos beneficiado com o actor original.
De resto, que continue o combate. 8/10… José Pedro Lopes