“Win a Date With Tad Hamilton!” por José Pedro Lopes

(Fotos: Divulgação)

Sinopse

Uma rapariga, de uma pequena cidade, ganha a oportunidade de conhecer uma celebridade através de um concurso. O problema é que o encontro corre bem demais e rapidamente se forma um triângulo amoroso que vai dar que falar.

Elenco

Kate Bosworth, Josh Duhamel, Topher Grace, Nathan Lane, Sean Hayes, Ginnifer Goodwin, Gary Cole

Realizado por Robert Luketic

Critica

As comédias românticas, um pouco como os filmes sobre serial killers, partilham um defeito (estranho, não?): o excesso de títulos ao longo dos anos tornou-os repetitivos, formuláticos e num género onde se podem esperar poucas surpresas. Quando surge um filme que foge ao banal e executa-o com classe é um filme que depressa se torna um clássico do género (apenas para ser imitado até à exaustão). Existem claramente dois tipos de comédias românticas: a do “Príncipe Falso” e a do “Dilema”. Na primeira falamos de um filme como qualquer um de Adam Sandler ou como “How to Loose a Guy in Ten Days”: ele ou ela é perfeito mas tem um defeito escondido, depois zangam-se perto do fim, há um discurso bonito e voltam a estar juntos. No segundo género, existe um triângulo amoroso, onde geralmente é fácil notar quem será o vencedor.

Mas estes convencionalismos por vezes tem a sua utilidade: definem algumas regras do que funciona e do que não funciona.

“Win a Date With Ted Hamilton” não sabe nem consegue ser diferente de uma comédia romântica banal, mas é com enorme surpresa que se descobre que falha onde os mais banais filmes do género funcionam- por pura e simplesmente desconhecer regras básicas de uma boa história romântica.

No filme, a personagem principal está indecisa entre dois homens: um rico e famoso, o outro um amigo de infância. Aliás, não está indecisa de todo (daí um pouco a ausência de intriga). Ela não quer o amigo de infância para nada, e nunca ao longo de 95% do filme mostra qualquer interesse por ele (notar a cena onde este lhe confessa que a ama). Mais estranho ainda é quando no final ela reconhece nele o amor da sua vida. O desfecho do filme é por tal carente de qualquer tipo de emoção ou carisma: as personagens que se unem no filme carecem de qualquer tipo de desenvolvimento juntos. Note-se que se torna grave ao ponto da personagem feminina não se aperceber do seu verdadeiro amor até saber que este a conhecia bem. Pequenas coisas como declarações de amor de nada significavam para ela (o que é curioso dado que ia “fugir” com uma superficial estrela de Hollywood, mas está bem).

O filme sofre do que se pode chamar do “Síndroma da Apaixonada Passiva”: isto ocorre quando a personagem feminina não tem opinião sobre quem quer e é levada pelas ondas positivas, que ambos os seus pretendidos conseguem criar. A única vantagem de uma comédia romântica que sofra de SAP, é o facto de nunca ter o já cansativo momento em que a personagem feminina diz que não quer nenhum (para isso é que não há pachorra!)!

Uma coisa corre ainda pior no filme: Ted Hamilton, o preterido, é bem mais carismático e interessante que o seleccionado (o qual passa o filme todo a comportar-se como um miúdo irritante). No final, aposto que uma grande parte do público ficou a achar que ela ficava bem melhor com ele. Note-se que isto não significa que não estejamos perante um clássico filme de “Dilema”: é mais que óbvio que ela vai ficar com o pobretanas, só é impressionante como o filme não o consegue tornar apelativo!

No que toca aos actores, Topher Grace está bastante bem como Ted Hamilton, mas quer Kate Bosworth, quer Josh Dahmuel revelam-se nocivos para a credibilidade do filme.

Concluindo, “Win a Date With Ted Hamilton” é uma comédia romântica muito abaixo da média, já que para além de nada trazer de novo, consegue falhar nas espectativas do seu público alvo, através de uma má escolha de personagens e actores, de nunca conseguir ter piada (os momentos cómicos do filme são todos um falhanço). Mas ainda algo mais grave. O esquecer-se que, se nos quer vender “amor verdadeiro” no final, tem que nos introduzir ao conceito de “amor” primeiro. 2/10 José Pedro Lopes

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