
Sinopse
Baseado numa curta história chamada ‘The House ON Turk Street’ de Dashiell Hammett, este filme conta a história de um detective da polícia (Jack) que, enquanto procurava ajudar um amigo a encontrar a filha, descobre um bizarro grupo de criminosos preparados para assaltar um banco. Mas Jack é detido por estes e deixado a sós com a namorada (Erin-Milla Jovovich) do perigoso lider do grupo. É nesse período que John descobre que por trás da fachada de Erin está uma romântica ex-pianista clássica. Mas será que é Jack que descobre ou é Erin que o tenta manipular?
Elenco Samuel L. Jackson, Milla Jovovich, Stellan Skarsgard, Doug Hutchison, Grace Zabriskie
Realizado por Bob Rafelson
Crítica
“No Good Deed” é um filme que surpreende tão depressa quando desilude – mas nunca vai de facto ao encontro das nossas expectativas. Vendo pela sua promoção – e também pela sua premissa e elenco – estaríamos à espera de mais um thriller banal, com Samuel L. Jackson a ter os seus frenéticos diálogos (desde “Pulp Fiction”, um “must” para o actor) e muito tensão.
Pois bem, “No Good Deed” não é um filme de suspense – e poucos ou nenhuns são os momentos de verdadeira tensão. Samuel L. Jackson não é o velho “bad mother fucker”. É mais um filme na linha do clássico “Fargo” dos irmãos Coen, que aposta no realismo da situação misturado com um humor negro algo perverso, com personagens caricatas mas realistas, e cenários que evoluem do pior para… bem, para bem pior!
A relação entre Jovovich e Jackson é truculenta, e definitivamente uma surpresa agradável. Os actores partilham algumas cenas fantásticas – um trabalho notável dos dois actores, com menção especial para uma sequência onde tocam música juntos. Stellan Skarsgard está fenomenal – definitivamente, depois de ter visto “The Glass House” e “Ronin” deixei de confiar neste homem (apesar de ser aquele professor bacano de “Good Will Hunting”).
Mas se a surpresa na abordagem e desenvolvimento na história de “No Good Deed” lhe dá vantagem, o seu desenvolvimento na recta final asfixia-o. O filme abdica de tudo para entrar num giro repetitivo, e a conclusão é tão simplista que nos interrogamos se toda a fantástica elaboração de personagens tinha um propósito.
O labor de Jackson, Jovovich e Skarsgard mereciam um argumento melhor – que soubesse no fim dar-nos um verdadeiro show de emoções para o qual estamos preparados. Um filme que surpreende para apenas desiludir. 6/10 José Pedro Lopes