‘Cabin Fever’ por Jorge Pereira & José Pedro Lopes

(Fotos: Divulgação)
Sinopse

Por detrás deste filme estão, quase incógnitos, o realizador de “Blue Velvet” e “Mulholland Drive”, David Lynch e o seu compositor favorito, Angelo Badalamenti. O realizador Eli Roth, que aqui se estreia, é um antigo colaborador de Howard Stern. Um exemplo do cinema “gore” em grande estilo. Antecedido pela curta-metragem I’LL SEE YOU IN MY DREAMS – Miguel Angél Vivas (Port.)

Realizado por Eli Roth

Crítica

Em “Cabin Fever” acontece um fenómeno curioso: o filme aparece apontar em todas as direcções ao mesmo tempo e ambicionar cumprir vários objectivos num filme só. Não é normal um filme tão negro e violento como “Cabin Fever” descaia para a comédia disparatada e para a sátira. Para alguns pode surgir como um defeito – com isto “Cabin Fever” nunca chega a meter medo e a ser alarmante como podia ser, mas no geral o que temos é um filme original e cativante, que consegue ser verdadeiramente imprevisível. Todas as personagens são humanas e dimensionais, e ao mesmo tempo estúpidas e perversas: não há apostas possíveis sobre quem vai sobreviver ou como o filme vai acabar. O que é um grande mérito para um filme de género nos dia de hoje. Nota mais para os efeitos “gore” e para a criação de ambiente na primeira metade, muito bem conseguida. Mas o grande trunfo do filme surge no seu sentido de humor – uma verdadeira tanga ao parolos do interior americano. Um filme divertido e sádico, como é bem preciso. Uma menção muito especial para o elenco jovem e as personagens, muito acima do que seria de prever num teen horror movie. A sequência final, envolvendo um velho, uma caçadeira e preconceitos racistas parte tudo. 8/10 José Pedro Lopes

Crítica

“Cabin Fever” prometia muito. Uma história interessante, ligações pouco claras a David Lynch e um realizador “novato” com muita ambição. O filme começa como quase todos os filmes de terror de hoje em dia começam. Um grupo de jovens viaja pelo interior profundo e dá de caras com estranhos habitantes e problemas de difícil explicação. Cria-se algum ambiente e o filme avança a bom ritmo com alguma unicidade num universo fímico já de si esgotado. Começam as mortes, o mistério adensa-se e estamos perante uma espécie de vírus letal que consome a nossa carne.

Depois começa o descambar. O mistério dá lugar ao terror histérico a personagens idiotas- daquelas com o M nas costas costas a dizer que vão desta para melhor. O filme perde então a magia que tinha e termina de rastos numa enorme patetice pegada. Foi o meu colega José Pedro que ao falar do filme “Refém” usou uma frase que lhe vou usurpar e usar neste mesmo filme. “Cabin Fever” é um filme que “surpreende para apenas desiludir”. No fim ainda ficou o já tipificado final a pedir sequela. Enfim… valeu pelos primeiros 30 minutos…. 4/10 Jorge Pereira

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