Críticas do Indie Lisboa: ‘Humpday’ por João Miranda

(Fotos: Divulgação)

Há, na cultura popular, uma tentativa de definição de masculinidade, após a mudança de todos os valores associados a género. Muitos são os filmes que lidam com este tema, a maioria com muito pouco sucesso, caindo em velhos esquemas ou lugares-comuns e não contribuindo para a discussão. “Humpday” de Lynn Shelton, uma mulher, é um filme exemplar neste diálogo. A partir do reencontro de dois amigos e das relações que estes desenvolvem com as suas parceiras e um com o outro, é focada a definição sexual da masculinidade de uma forma cómica, mas séria.

Em jeito de desafio, numa noite de muito álcool, os dois amigos propõem-se gravar uma cena de sexo entre os dois para participarem num festival de pornografia amadora. Entre o não quererem dar parte fraca e o não quererem parecer tacanhos, os dois são incapazes de retroceder na decisão tomada, procedendo com todas as combinações para o fazerem. Poder-se-ia acusar o filme de ser demasiado verboso, mas esta característica pode também atribuir-se ao nervosismo de dois amigos nos limites do que é ser homem, a tentarem perceber o que querem parecer, o que devem fazer e o que na realidade querem. No processo, são desfeitos muitos mitos e muitas imagens pelas quais guiam as suas vidas.

 

A Base: Um filme divertido e profundo…7/10

O Melhor: A clareza do filme num tema tão complexo.
O Pior: Irá passar ao lado da maioria do público e ter um sucesso moderado.

João Miranda

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