Há um estilo de filmes independentes que fazem o percurso dos festivais com maior o menos sucesso e que, podia argumentar-se que por falta de qualidade ou interesse, acabam por nunca chegar aos cinemas comerciais. Este é um desses filmes. Depois da participação na última sessão do Indie com “The Pleasure of Being Robbed”, Joshua Safdie junta-se ao seu irmão Ben e trazem-nos “Go Get Some Rosemary”.
Tal como em “The Pleasure of Being Robbed”, este é outro filme sem interesse, baseado numa imagem de vida alternativa nova-iorquina, que acaba por revelar-se absurda se observada com cuidado. Neste caso, um projeccionista tenta tomar conta dos filhos enquanto não quer prescindir de uma vida de solteiro, com saídas à noite e comportamentos irresponsáveis. Durante o filme este apresenta comportamentos que não só fariam que qualquer juiz lhe retirasse sequer a possibilidade de tomar conta das crianças nas duas semanas actuais que tem acordadas com a mãe delas, como o levariam à prisão por maus-tratos ou pior. No entanto, há um esforço por parte dos realizadores por pintar negativamente a mãe e vitimizar este pai mais do que irresponsável e até de o premiar com um final de filme mais do que absurdo. Há na produção de cultura uma responsabilidade pelo que se produz, pelas mensagens que se passam e pelas possíveis consequências: este filme falha nos três pontos.
É um filme execrável, com uma imagem masculina urbana que só alguns homens defenderiam e isso com um sucesso muito duvidoso. É importante cinema independente, até percebo que haja um estilo de filmes que só faz sentido em festivais, mas temos mesmo de aturar isto?
O Melhor: Nada.
O Pior: Tudo.
João Miranda

