O problema com este filme, para além da habitual falta de coerência estilística deste tipo de projectos, é que a dimensão e o tom das histórias variam muito entre elas e a sequência escolhida acaba por tornar-se muito pesada, principalmente se se tiver em conta que o filme tem uma duração que ultrapassa as duas horas e meia. Começa com histórias curtas e cómicas, algumas delas hilariantes, e acaba com duas histórias com um humor que não permite tanto o riso, ritmo lento e maiores, numa curva descendente que nos faz sentir as cadeiras do cinema ao fim de algum tempo. Na sessão do indie onde foi exibido, no final da quinta história houve uma pequena debandada onde mais de duas dezenas de pessoas terão saído da sala, fenómeno só atribuível a esta característica do filme. Um corte diferente traduzir-se-ia numa experiência mais tolerável do filme.
Apesar dessa questão, este é um filme com um grande sentido de humor e muita qualidade, um retrato de uma época a que não poderíamos ter acesso de outra forma, um exorcizar de um passado que nem sempre será razão de orgulho, mas que conta uma História de um país perante dificuldades extremas. Logo na primeira história, todos responsáveis pela recepção a uma possível visita de Ceausescu se metem num carrossel de onde se vêem incapacitados de sair, de ajudar a pessoa mais próxima ou a si próprios e os que estão de fora têm uma imagem muito diferente dessa realidade, confundido por gritos de diversão os gritos de medo. Essa parece-me a imagem perfeita para descrever a sociedade da época, pena não ter sido a história final.
O Pior: A sequência escolhida para as histórias.

