Hong Kong tem uma influência no cinema Ocidental há já alguns anos, com alguns realizadores conhecidos a assumirem abertamente essa influência e até tentando encontrar maneiras de distribuir os filmes aí feitos nos mercados europeu e americano. Em “Vengeance” de Johnnie To percebe-se porquê.
Este não é um filme que irá ser o filme da nossa vida e o seu argumento resume-se quase exclusivamente ao título do filme, mas, dentro de todas as fórmulas e clichés utilizados, há uma criatividade e um cuidado visual que marcam. Sim, o diálogo é fraco e há representações que lembram o Nicholas Cage no seu pior, mas há a mestria com que as cenas são filmadas, a forma como a nossa tensão é sempre mantida e até o investimento nestas personagens que, pelas suas acções, conseguem superar a unidimensionalidade com que costumam surgir no cinema ocidental.
Este filme é puro entretenimento, sem qualquer objectivo de nos ensinar nada ou de nos dar uma moral. É também um exercício de estilo dentro de um formato conhecido e já muito explorado. Nesses dois pontos, tem um sucesso surpreendente. Poderá não ser, como já disse, o filme da nossa vida, mas de certeza que nos vamos lembrar de algumas cenas como o que o cinema pode ser no seu melhor.
A Base: Isto é cinema de entretenimento no seu melhor, sem pretensões e sem morais. 7/10

