Em todos os países há uma ligação entre os mass media, o fenómeno das “celebridades” criadas por estes e o governo, basta assistir a uma qualquer campanha eleitoral para o perceber. Em nenhum país esta ligação é mais óbvia como na Itália. “Videocracy” foca, sem nunca entrar abertamente no campo da política, esta ligação, explorando a semiótica visual da cultura italiana, dominada pelos canais de televisão e a imprensa do primeiro-ministro Silvio Berlusconi.
O filme tenta investigar todos os níveis deste sistema, desde o mecânico que pretende ser descoberto como o “Van Damme italiano” ao cabecilha de um grupo de paparazzi, passando pelo maior agente de televisão e pelo próprio primeiro-ministro. No processo, vai-nos introduzindo ao mundo da televisão italiana, das mulheres lindas e sorridentes que ocupam tempo dançando seminuas para que o espectador não mude de canal, das celebridades cuidadosamente fabricadas, das audições diárias ocupadas por centenas de pessoas ansiosas por fazerem parte desse mundo.
É um filme cruel que mostra o que pode acontecer quando a concentração de poder e a falta de escrúpulos se juntam, o complemento perfeito ao que, para mim, foi o melhor filme do festival o ano passado “Il Divo”, onde a componente política e mafiosa deste sistema, desenvolvido por Andreotti e dourado por Berlusconi, é explorada.
O Melhor: O conseguir evitar a componente política e focar-se no sistema de produção de cultura.
O Pior: Dá a ideia que o filme foi cortado e que lhe faltam algumas partes, mas nada de essencial.

