Criticas do IndieLisboa: ‘Lebanon’ por João Miranda

(Fotos: Divulgação)

No início dos anos 80 Israel entrou em guerra com o Líbano, tendo enviado vários soldados jovens para este conflito. Já em 2008, Ari Folman nos ofereceu a sua tentativa de reconstruir as suas memórias associadas à sua participação neste conflito, no seu filme de animação “A Valsa com Bashir”. “Lebanon” explora também a experiência pessoal do seu realizador – Samuel Maoz – nesse mesmo conflito. Desta vez, em vez da animação para poder passar o bizarro da guerra, estamos presos dentro de um tanque com quatro personagens e só conseguimos ver o exterior pelos olhos do artilheiro Shmulik, espreitando pela mira da torre, ou pelas personagens que vão entrando no tanque ou falando pela rádio.

É um filme claustrofóbico que retrata bem a ingenuidade da juventude dos soldados quando expostos a um conflito pela primeira vez, com a reconstrução cuidada do ambiente no interior do tanque e das dificuldades de um conflito em que não se sabe bem quem poderá ser o inimigo (desde os civis, a outras forças envolvidas, até aos aliados pouco confiáveis). Com o avançar do conflito, vai escalando também o conflito entre as personagens, divididas entre o que acham que devem fazer e a confusão e medo crescentes.

Há um forçar do espectador ao papel de voyeur, por vezes coincidente com o do artilheiro mas outras usado de forma pouco sofisticada ou subtil por parte do realizador – como em dois momentos do filme que são desnecessários para percebermos o horror da guerra, já passado tão bem pelo resto das imagens – mas não são suficientes para estragar o filme.  7/10

O filme faz parte do programa do Indie Lisboa, podendo ser visto sexta-feira, dia 23, às 21h45, no cinema Alvalade, ou Domingo, dia 25, também às 21h45, no São Jorge. Depois disso, estreará nas salas no dia 6 de Maio.

O Melhor: A recriação do ambiente claustrofóbico e sujo do interior de um tanque.
O Pior: A falta de subtileza de algumas cenas.

João Miranda

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