«Jack the Giant Slayer (3D)» (Jack, o Caçador de Gigantes) por Roni Nunes

(Fotos: Divulgação)

Se das cada vez mais frequentes adaptações ao cinema de contos de fadas e histórias tradicionais umas são mais fiéis do que outras, nesta pouco resta das mais populares versões de “João e O Pé de Feijão” que todos conhecemos da infância. Aqui a galinha dos ovos de ouro desapareceu, o gigante multiplicou-se e, especialmente, a aventura essencialmente individual do protagonista movido pela cobiça e vingança transformou-se na odisseia coletiva do reino de Cloister a tentar resgatar a sua princesa e a lutar pela sua sobrevivência.

O ponto de partida de “Jack e o Caçador de Gigantes” são as histórias paralelas de dois adolescentes que sonham com aventuras – mas com significados bem diferentes. Para a princesa Isabelle (Eleanor Tomlinson), trata-se de fugir à tediosa e protegida vida do palácio, para além do casamento que se avizinha com um homem pouco apetecível, Lord Roderick (Stanley Tucci). Para o camponês Jack (Nicholas Hoult), no entanto, a coisa é bem diferente: a viver com o tio numa barraca arrendada e em extrema miséria, as suas fantasias são um empecilho, um mal que faz apenas causar a fúria e o abandono do seu único parente. 

A fidelidade ou não à história original (que nem sequer existe, já que vem da tradição oral de lendas inglesas) é o menor dos problemas deste trabalho de Bryan Singer: com um argumento correto, o enredo oferece alguns conflitos interessantes, um romance, uma jornada aventureira, intrigas palacianas, lutas (entre todas as criaturas presentes) e guerra generalizada. Existe ainda uma reprodução fiel (e acomodada) das estruturas sociais do Antigo Regime (com suas castas fixas e cheias de vénias, embora, como se trata da jornada de um herói, tenha que se conceder-lhe a recompensa baseada na meritocracia) e as lições de moral ganham uma nova versão – uma vez que tudo é desencadeado pelo desejo de poder de um aristocrata.

O realizador de “X-Men” filma isso tudo com bastante simplicidade e eficácia, criando uma espécie de “primo pobre” do mais ambicioso e recente “Hobbit – Uma Viagem Inesperada”, de Peter Jackson. E é aqui que residem os pontos mais fracos da obra: correto e eficaz, “Jack e o Caçador de Gigantes” sofre de uma terrível falta de audácia e fica bastante difícil de entender o seu incrível custo de U$ 200 milhões para um filme onde todos os acontecimentos se resumem a dois cenários, existe apenas um tipo de antagonista “não-humano” (os gigantes, espécie de “shreks” versão XXL) e o onde nem sequer o 3D faz grande sentido. 

Por fim, se por aqui os feijões mágicos de Singer não rendem ovos de ouro, também não sucumbem a pretensiosismos vazios: singelo, bem executado, divertido e pouco ambicioso, servirá bem para animar as tardes domingueiras da televisão daqui a um ano ou dois. 

O Melhor: a equanimidade entre a pretensão e uma concretização eficiente
O Pior: a falta de ambição
 
 
 Roni Nunes
 

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