«Snitch» (Infiltrado) por Roni Nunes

(Fotos: Divulgação)

A estranha lei da pena mínima prevê um castigo severo para quem for apanhado em falta e que não puder compensá-la através da delação. É precisamente nesta armadilha que cai Jason Collins (Ravi Gavron), filho do empresário John Matthews (Dwayne Johnson): para além de não ter maiores vínculos com gente ligada ao narcotráfico (o crime em questão), recusa-se a incriminar os amigos inocentes para reduzir a sua pena. Com as idas e vindas do sistema e com a fragilização do filho na prisão, restará a Matthews encontrar por ele próprio uma forma de ajudar a ambiciosa promotora pública Joane Keegham (Susan Sarandon) a fazer uma detenção. Isso leva-o a enredar-se cada vez mais a fundo no submundo do crime.

Com tudo isso e com as humilhações a que é submetido pelas autoridades judiciais e policiais a acumularem-se, enquanto seu filho deteriora-se nitidamente, parece estabelecido o pressuposto ideal para uma das tour de force favoritas dos heróis de ação: sair a distribuir porrada e  fazer justiça pelas próprias mãos. 

Curiosamente, não é nada disto o que acontece. Bem distante de um filme como “Vingança Rápida”, por exemplo, onde Johnson saía da prisão e executava uma alucinante operação de vingança incrivelmente eficaz contra todos aqueles que o tinham traído, “Snitch” estende os conflitos e o desenvolvimento das personagens até o limite e acaba por evitar a via fácil da catarse do justiceiro. 

Opção corajosa de Johnson em patrocinar algo assim – que exige mais do seu aceitável talento dramático do que das suas faculdades físicas – correndo todos os riscos de dececionar seus fãs mais intempestivos. Como ator ele faz aqui o melhor que pode, ao mesmo tempo que o filme conta com personagens delineadas com qualidade suficiente para deixar o excelente elenco secundário trabalhar (com destaque para Jon Bernthal como Daniel, o seu parceiro na empreitada). 

O que se encontra em “Snitch” é quase um drama com alguma ação – e esta, quando aparece, é bem pouco espetacular – com um realismo de resto em sintonia com a forma contida e ao mesmo tempo intensa (com closes e câmaras na mão) com que o realizador Ric Roman Waugh (de “Felon, Condenado”) opta para contar a sua história. 

O pior defeito do filme é esticar o enredo para além do necessário, desgastando conflitos que já não têm mais qualquer coisa a oferecer – como os inevitáveis riscos para as vidas familiares de ambos os protagonistas. No cômputo geral, no entanto, é de louvar a iniciativa.

O melhor: a opção por misturar ação com drama
O pior: excessivamente longo, tornando certos conflitos estéreis
 
 
 Roni Nunes
 

Últimas