«Identity Thief» (Vigarista à Vista) por Roni Nunes

(Fotos: Divulgação)

O filme constrói rápida e eficazmente o seu ponto de partida através de um telefonema: de um lado estava Sandy Patterson (Jason Bateman), um pacato empregado num escritório a lutar contra as dificuldades financeiras para sustentar a família e por condições melhores dentro da empresa; do outro uma descontraída trapaceira profissional, Diana (ou outro nome qualquer), vivida por Melissa McCarthy, que utiliza um ardil muito eficaz para arranjar os números da segurança social e fabricar cartões falsos com a sua inseparável “maquinazinha”. Resultado: o filme mal começou e Sandy está na miséria, desempregado e com a polícia a perna – por crimes que, obviamente, nunca cometeu. E quando a justiça é lenta e indiferente à sua sorte, tem que se fazer pela vida. Ou melhor: pôr o pé na estrada.
 
A partir daí “Vigarista à Vista” torna-se um road movie com as situações típicas dos “buddy movies” – ao reunir numa viagem dois elementos que se detestam, que parecem não ter nada em comum e onde o mais desagradável tem o controlo da situação. Para dar “dinamismo” à empreitada, acrescentam-se três assassinos profissionais desencontrados à caça da burlona (vividos por Genesis Rodrigues, o rapper T.I. e Robert Patrick) – recurso, também ele, já bastante gasto. 

Com as situações criadas a não representar nenhum primor de inventividade e com Bateman “atado” ao seu modelo de homem certinho, resta à Melissa McCarthy a tarefa de garantir o interesse da “travessia no deserto” através do humor. E a verdade é que ela até tem os seus momentos – conseguindo superar habilmente os excessos e os egocentrismos das estrelas da comédia que têm a missão de “fazer rir”.  

O sentimentalismo começa a fazer aparições cada vez mais frequentes a partir de certa altura e o final torna-se bastante fácil de adivinhar. Apesar disto, a realização de Seth Gordon consegue segurar razoavelmente o filme, sem deixá-lo descambar nem para a parvalheira excessiva nem para a rudeza (presentes no seu congénere “A Tempo e Horas”, por exemplo)  – utilizando como pano de fundo o drama do roubo de identidade por alguém a quem a sociedade sempre recusou um lugar.

O Melhor: algumas situações com Melissa McCarthy
O Pior: demasiado previsível, com situações e elementos já muito explorados
 
 
 Roni Nunes
 

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