«Mon pire cauchemar» (O Meu Pior Pesadelo) por Roni Nunes

(Fotos: Divulgação)
 
A França tem uma sociedade interessante: talvez em nenhum outro lugar a sua classe média intelectual mereça tanta atenção da sua própria arte como neste país. E a própria trajetória dos cultos e letrados é curiosa: nos anos 60 eram revolucionários e focavam a sua artilharia pesada contra a burguesia do dinheiro e as suas hipocrisias sociais. 

Já há alguns anos que converteram-se eles próprios no tema central do seu próprio cinema. Um dos aspetos mais peculiares desta faceta é a verdadeira obsessão pela arte abstrata contemporânea nos seus filmes – e que aqui rendem algumas das melhores piadas do filme (incluindo a final). 

Agathe Novic (Isabelle Huppert) é curadora de uma galeria de arte que tem uma vida estável e assexuada com o editor literário François (André Dussollier), até sua existência ser colocada de pernas para o ar após o convívio forçado com o desbocado, mulherengo e quase alcoólico Patrick (Benoît Poelvoorde) – responsável por obras de reforma na sua casa.

Das milhares de comédias onde um invasor rude e/ou inconveniente lança o caos em ordenadas vidas de famílias burguesas, “O Meu Pior Pesadelo” tem alguns pontos a seu favor. Além do par principal, Huppert e Poelvoorde (o terrível oficial belga de “Nada a Declarar”), as tantas voltas que o argumento dá para fugir dos lugares comuns e de um final quase inevitável garantem algumas surpresas. 

Por outro lado, nunca chega a escapar da simplicidade da sua proposta – a de expor as mazelas da burguesia esclarecida quando confrontada com o operariado “ordinário”. De resto, tanto rende momentos bastante cómicos quanto outros um tanto redundantes.

O Melhor: o par principal e algumas boas piadas
O Pior: nem sempre rende o esforço de fugir ao lugar comum
 
 
 Roni Nunes
 

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