O Conde Drácula (Adam Sandler na versão original, Fernando Luís na portuguesa) constrói um hotel para resguardar-se a si e a sua adorada e superprotegida filha (Selena Gomez/Joana Solnado) dos tenebrosos seres humanos. No aniversário de 118 anos dela, recebe uma gigantesca panóplia de monstros que vêm ao Hotel Transylvania participar da festa num refúgio seguro das nefastas criaturas. Mas, inadvertidamente, um destes espécimes vai lá parar…
Até a entrada em cena do humano Jonathan (Andy Samberg/Tiago Retrê) o filme vive das piadas feitas com os monstros que vão chegando para as férias no hotel. A partir daí, explora o efeito cómico do jovem dinâmico, que viajou pelo mundo todo, e que vai representar o ponto de desestabilização do universo com regras instituídas dos monstros.
O problema é que já se viu muito disso antes, particularmente desde que alguém decidiu conceder humanidade e humor pitoresco aos tradicionais e assustadores monstros do cinema, e no qual Tim Burton é apenas o caso mais emblemático.
As semelhanças com “Monstros & Cia são evidentes, pois também aquele extraía o seu pathos da aparentemente impossível convivência entre monstros e humanos. Mas se o primeiro era um filme absolutamente genial, o que este “Hotel Transylvania” vem demonstrar é o desgaste da forma de contar histórias baseada em correrias, piadas em rajada e edição há 10 mil a hora. Parece que a genialidade do passado começa a pesar sobre o presente – algo detetável também no franchise da Blue Sky, “A Idade do Gelo”, onde a qualidade não para de cair.
A melhor piada fica para o fim e dura três segundos (uma hilariante citação à saga “Crepúsculo”), o que acaba por demonstrar o quanto a obra se ressente de inventividade. Para piorar ainda há a “ousadia” (negativamente falando) de terminar o filme com uma das sequências mais formulaicas da história do cinema feito em Hollywood. Exclusivo para os pequenos e para fanáticos de animação, que eventualmente podem apreciar esta espécie de família Adams ligada à corrente.
O Melhor: alguns momentos cómicos
O Pior: demonstra o desgaste das fórmulas da animação
| Roni Nunes |

