«Comme un chef» (O Chefe) por Roni Nunes

(Fotos: Divulgação)

“O Chef” cruza duas trajetórias onde os conflitos são de natureza profissional e familiar. Uma deles é a do talentoso mas irrealista Jacky Bonnot (Michael Yoün), cuja coleção de despedimentos dada a sua inflexibilidade no tratamento da sua cozinha o está a colocar em apuros – não só financeiros como matrimoniais. A outra, descendente, é a de um famoso chef Alexandre Legarde (Jean Reno) que tem o emprego em risco por ser muito “caro”. Para ser despedido, basta o restaurante que leva o seu nome perder uma estrela.

O acento cómico do filme gira nas tentativas de ambos os talentos (o consagrado e o aspirante) gerirem os seus egos descomunais e fazer face às pressões que sofrem. Uma batalha que se dará, obviamente, dentro da cozinha. 

Lá pelo meio há tempo para os três estarolas (cozinheiros do lar de idosos “contratados” por Bonnot), um cientista maluco (o chef de cozinha molecular) uma passada (forçada) pelo burlesco (a cena do restaurante onde os protagonistas aparecem disfarçados) e mais os típicos romances/pedidos de casamento/de desculpas etc., que representam uma nem sempre estimulante gestão das fórmulas da comédia hollywoodiana. 

O filme também peca por soluções demasiado rápidas para as dificuldades dos protagonistas, o que muitas vezes o empurra para a banalidade. Os conflitos familiares, por sua vez, com personagens femininas e situações bastante superficiais, não chegam a acrescentar qualquer coisa. Das poucas questões que poderia propor – a questão do velho/tradicional x novo/moderno, nem se dá ao trabalho para tal. 

Por outro lado, o filme é mesmo despretensioso e não deixa de ter o seu charme particular nos “duelos” envolvendo complicados receitas e um grande número de ingredientes – o que só pode comprovar o gosto do argumentista/realizador Daniel Cohen pelo tema do seu filme. Além disso, existem umas boas piadas e algumas situações bastante cómicas. E já que se está no terreno da culinária, pode-se dizer que o prato que o Cohen serve não é nenhuma iguaria, mas em algum momento toda a gente gosta de bife com batata frita…

O Melhor: algumas situações bastante cómicas
O Pior: a superficialidade e as fórmulas hollywoodianas 
 
 
 Roni Nunes
 

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