Road Movie em que Renee Zellweger revisita as suas origens sulistas e onde o realizador Olivier Dahan traz um registo bastante diferente do filme que o consagrou, “La Vie en Rose” , embora a música aqui também seja importante.
Bem mais interessante do que parece e do que seu título permite adivinhar, “Minha Canção de Amor” trata essencialmente de solidão, partindo da ligação entre dois personagens já quase sem laços afetivos e que por isso agarram-se a uma amizade altamente improvável. Jane (Renee Zellwegger) é uma antiga cantora reduzida a cadeira de rodas e a viver sozinha; Joey (Forest Whitaker) é um homem meio infantilizado e sem rumo que “conversa com anjos” e vive às voltas com a polícia e com internações psiquiátricas.
Dahan não só consegue manter o relacionamento entre os dois sempre no patamar de verossimilhança como nunca perde o controlo dos seus personagens na viagem que terminam por empreender pelo sul dos Estados Unidos. Nesta vão encontrando-se com os mais diferentes tipos, entre as quais a frágil Billie (Madeline Zima), que acaba por se juntar a eles durante parte do percurso. Entre estas, destaque também para a velha história do pacto com o diabo do bluesman Robert Johnson, recordada pelo guitarrista Caldwell (Nick Nolte, mais uma vez a encarnar, bem, um homem decadente).
Por vezes demasiado esquemático, com citações em off não muito inspiradas e com situação previsíveis (incluindo o final), o filme no entanto consegue alguns momentos bastante poéticos e uma trajetória de descoberta pessoal que nunca cai no sentimentalismo vulgar.
O Melhor: situações dramáticas bem conseguidas
O Pior: a previsibilidade de algumas situações, especialmente o final.
| Roni Nunes |

