«Ne te retourne pas» (Não olhes para Trás) por Roni Nunes

(Fotos: Divulgação)

Uma escritora bem-sucedida mas sem memória da infância, Jeanne (Sophie Marceau), começa a ter a sua percepção da realidade alterada, passando a ter dificuldades em reconhecer a casa onde vive e a própria família, como se tudo o que visse fosse a vida de outra pessoa. 

O que parece ser a narrativa de um processo de enlouquecimento ganha contornos mais misteriosos e estimulantes: se de repente fôssemos privados de nossa memória tudo aquilo que reconhecemos e que determina quem somos se perderia e a nossa visão do que chamamos de realidade seria tão distorcida quanto as imagens que a cineasta usa para ilustrar esse processo. 

O uso desse artifício narrativo serve para mergulhar o expetador num excitante jogo de espelhos onde o reflexo da própria imagem é cada vez mais enganoso. De Van vai desenvolvendo a sua história e a transformação de Jeanne com uma elegância gélida que por vezes até faz lembrar a obra-prima de Nicolas Roeg, “Aquele Inverno em Veneza” (que, por sinal, tinha como título original “Don’t Look Now”). Há até mesmo a menina que foge fantasmagoricamente pelas ruas de uma cidade italiana…

O suspense e interesse são garantidos – particularmente na fase italiana, quando Jeanne (Monica Bellucci) segue instintivamente em busca do esclarecimento de um passado misterioso. Peca por ser, por vezes, demasiado obscuro, fornecendo pistas desnecessariamente difíceis de identificar.

O Melhor: o jogo de espelhos
O Pior: por vezes demasiado obscuro
 
 
 Roni Nunes
 

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