«The Big Bang» (À Lei da Bala) por Roni Nunes

(Fotos: Divulgação)

O realizador Tony Krantz foi buscar inspiração aos standards do eternamente atrativo cinema noir para compor esta obra, que mistura homenagem, algumas modificações e uma estranhíssima comunhão do universo sombrio do estilo com a moderna física quântica. O noir forneceu ao mundo alguns grandes clássicos dos anos 40 e 50 e foi inúmeras vezes revisitado (a melhor delas foi a também já clássica releitura de Polanski no sensacional “Chinatown”, de 1974).

O problema com este filme é que tudo, mesmo tudo, que se tenta fazer não resulta e com o tempo catalogar aquilo que se está a ver como ridículo torna-se rotina. Nem por um segundo dá para acreditar na verdade do anti-herói de um António Banderas em estado de catatonia – numa personagem cujo fiapo de vida pessoal é abandonado sem mais delongas para uma viagem sem um sentido para o deserto.

A este anti-herói juntam-se os ângulos tortos, a podridão moral e os ambientes sórdidos do submundo que compõem a mitologia do estilo. Mas “A Lei da Bala” é cinema “moderno” e Krantz adorna visualmente a sua obra com ultra-estilização e néon a rodos, conseguindo um efeito que talvez seja a única coisa de interessante no filme.

Por fim, existe a conexão de tudo isso com uma impressionante (no mau sentido) verborreia científica que toma conta de uma parte do filme após o surgimento de um milionário (vivido por Thomas Kretschmann) que financia uma bizarra experiência. Uma história confusa e um final tão absurdo quanto o propósito do milionário completam esta miséria.

O Melhor: o efeito visual conseguido em algumas cenas
O Pior: o resto do filme
 
 
 Roni Nunes
 

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