«The Twilight Saga: Breaking Dawn – Part 2» (A Saga Twilight: Amanhecer Parte 2) por Roni Nunes

(Fotos: Divulgação)

Chega ao fim a telenovela dos vampiros do museu de cera de madame Tussauds, aqueles que mesmo diante de uma ameaça iminente ficam especados a sorrir como se estivessem num anúncio publicitário a uma marca de manteiga – a ocupar um espaço circundante extraído da uma última edição da Casa Decoração. O caso da atriz Elizabeth Reaser é o mais espantoso: no meio de uma batalha «selvagem» e «sangrenta» ela continua a sorrir benevolamente! Só lhe falta o pão e a Becel.

Stephenie Meyer achou o seu pote de ouro no fim do arco-íris quando deu um verniz vampiresco aos velhos arquétipos dos romances de cordel (quem se lembra das revistas Julia e Bianca?) e dos numerosos romances açucarados de Barbara Cartland. O que acaba por surpreender é que o imaginário feminino tenha evoluído tão pouco. 

Nestes filmes, tal como na soap opera literária de Meyer, existe uma jovem tímida e pobre, a quem ninguém dá um tostão furado. Aparece, no entanto, um tipo principesco, convenientemente podre de rico, que vai ignorar as pretendentes mais apetecíveis e interessar-se por aquela figurinha cinzenta. Diferentes tipos de obstáculos vão se interpor aos desejos do casal perdidamente apaixonado – entre os quais um “não ata nem desata” vindo dos conflitos interiores das próprias personagens. 

A autora de “Crepúsculo” levou as lições tão à letra que conseguiu até mesmo inventar artifícios para manter intacto o carácter casto e celibatário deste tipo de relação – com o sexo só a acontecer após o casamento, numa ilha paradisíaca e abençoado pelo amor. E não falta a filha para constituir a espinha dorsal da sociedade ideal – a família feliz. 

Mas uma coisa diga-se em abono da escritora: ela sabe criar expectativas e fazer com que o leitor siga em frente sem se dar conta que está durante páginas a fio atolado num pântano de nada. As adaptações, tão nulas enquanto cinema que são quase “anticinematográficas”, limitam-se a reproduzir fielmente o texto, não optando por introduzir umas mais do que necessárias elipses.

Em “Amanhecer – parte 2”, no entanto, há uma boa notícia: os Volturi, a única coisa minimamente interessante saída da imaginação de Meyer, estão de volta – o que torna o seu capítulo final bem mais divertido que o seu insuportável antecessor imediato. Tal como no livro, a história ganha ritmo e interesse com eles, vilões carismáticos o suficiente (mais no livro que no filme, muito mal explorados) para criar um conflito que vá além do romance açucarado. As cenas de batalhas são particularmente divertidas, com cabeças a rolar (sem sangue, obviamente) e corpos fumegantes. 

Kristen Stewart esforçou-se para o final da telenovela e perdeu um pouco aquele ar de eterna enxaqueca. O mesmo com Robert Pattinson, que parece ter resolvido o problema do dente cariado que o torturava até aqui. A favor deles, que fora da série andam a esforçar-se por diversificar a carreira, diga-se que a direção de atores é globalmente má. No todo este filme não é pior do que aquilo que se espera e até tem alguns bons momentos. 

O Melhor: as cenas de ação e os Volturi
O Pior: como toda a saga é um conto de fadas pouco aliciante para não convertidos 
 
 
Roni Nunes
 

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