O que este filme apresenta de novo em relação a umas tantas comédias mordazes que satirizam a competitividade maníaca dos norte-americanos e suas bizarrices (que filmes como “Linda de Morrer”, por exemplo, levaram às últimas consequências) é o que está referido no seu título. A manteiga é o material que os competidores de um estranho concurso no Iowa utilizam para produzir “obras de arte” que convençam o júri de que são os melhores. E pela menos uma das concorrentes (Jennifer Garner) é daquelas competidoras pouco desportivas, capazes de tudo para não perder o jogo.
A questão é saber se, após esse ponto de partida pitoresco, o filme tem meios para não deixar a estrutura desandar. Para contrapor a inflexibilidade da gananciosa e ultraconservadora personagem principal, o realizador Jim Field Smith utiliza outros dois mecanismos: uma componente dramática (a menina órfã adotada por pais liberais vivida por Yara Shahidi) e outra de humor grosseiro, sexual, intestinal etc. (a stripper de Olivia Wilde, numa composição não de todo convincente).
O entrelaçamento entre estas diversas matrizes, somadas a uma Ashley Greene (a vampira Alice de “Crepúsculo”) um tanto insípida a viver uma adolescente a “sair do armário”, produz algumas risadas, mas mais sorrisos. E estes surgem apenas até o momento em que começamos a desconfiar que, após a promessa de mordacidade e sarcasmo – apanágio de um certo cinema indie norte-americano – “Butter” começa a aproximar-se perigosamente do humor banal do filme de estreia de Field (“Ela É Demais para Mim”).
Os temores confirmam-se no fim, quando o realizador parece dar-se por contente por ter feito um filme “esperto” até ali e deixa o sentimentalismo tomar conta. Assim, apesar de algumas piadas politicamente incorretas, “Butter” fica-se mais pela excentricidade do que pela transgressão. Além do mais, tem de haver algo de errado com uma comédia que arranca as maiores gargalhadas… depois dos créditos finais!
O Melhor: os erros nas filmagens recuperados após os créditos
O Pior: as lamechices no final e a vacuidade de objetivos
| Roni Nunes |

