«Bellamy» por Roni Nunes

(Fotos: Divulgação)

O estilo de subtileza e humor negro do mais popular dos cineastas da Nouvelle Vague, Claude Chabrol, tem aqui o seu último suspiro. Para o seu epitáfio, o realizador foi fiel a si mesmo: mais uma vez vai buscar sua matéria-prima ao género policial – em especial ao de Georges Simenon, com o “Bellamy” de Gerard Depardieu a fazer aqui um simulacro do famoso detetive Maigret. E, como de costume, pontua a sua história com um humor típico.

Mistura de história de mistério e crime com um retrato familiar do inspetor, onde não falta uma fina ironia para retratar o “discreto charme da burguesia”, relata a evolução de dois incidentes que perturbam as férias do inspetor na Riviera francesa. Um deles é despoletado por um sujeito desagradável, que monta guarda em frente à casa de Bellamy até este se dignar a ouvir a sua história – que, como não podia deixar de ser, envolve homicídios, adultérios, fraudes e até cirurgias plásticas. O outro, no plano doméstico, está ligado à chegada do menos inconveniente meio-irmão, que também vem perturbar a sua paz de espírito.

Entre investigações e peripécias na cidadezinha de Nimes, vai construindo aqui e ali um labirinto de aparências, onde tudo pode ser aquilo que não é e vice-versa. O senão é que esse jogo tanto pode pairar entre o estimulante e o simplesmente entediante. Numa destas ironias realmente curiosas do destino, esta última obra de Chabrol, que morreria pouco tempo depois da concretização da mesma, começa e termina num cemitério…!

O Melhor: as ironias e sutilezas com que pontua a sua história de crimes e dramas familiares
O Pior: por vezes desinteressante
 
 
Roni Nunes
 

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