«Frankenweenie» por José Pedro Lopes

(Fotos: Divulgação)

O novo filme de Tim Burton, “Frankenweenie“, é uma verdadeira “tour-de-force” pela carreira do autor. Esta versão longa de uma curta do início da sua carreira, é feita em stop-motion (como “Corpse Bride” ou “O Estranho Mundo de Jack“), as personagens humanas góticas e bizarras parecem saídas do seu livro “The Melancholy Death of Oyster Boy & Other Stories“, e a sua história combina uma aventura ao estilo de “Eduardo Mãos de Tesoura” com um climax à “Ed Wood“.

Não é que “Frankenweenie” não seja original: mais ninguém faz filmes assim para além de Tim Burton, e este – quando quer – faz muito bem. “Franken” vem apresentado numa fluída animação stop-motion estilizada e sofisticada, projetada num lindo preto e branco em formato 4/3 (só mesmo o 3D é que não parece fazer sentido). A única aposta estranha será, talvez, a Disney achar que teria aqui um filme de grande público.

No entanto, o facto de estar em terreno seguro atraiçoa um pouco Burton. Se visualmente o filme é um triunfo, e se o ambiente está todo lá, a verdade é que Victor e o seu cão não habitam um mundo de personagens interessantes ou carismáticas. Se excluirmos o professor de ciências (que tem o melhor diálogo do filme quando acusa toda a gente de ser ignorante), “Franken...” é um filme despido de emoção humana, como seria de prever com uma proposta tão abertamente lamechas.

Felizmente para Burton e para nós, o real objetivo de “Frankenweenie” não era duplicar o melodramatismo de “Eduardo Mãos de Tesoura” mas sim entrar em terreno de pura loucura sci-fi dos anos 50. Quando o gato de serviço se transforma num vampiro e lidera um exército de aberrações contra a cidade, “Frankenweenie” mostra que o Tim Burton dos anos 80 e 90, que se queria divertir com ideias parvas, ainda continua no ativo.

A base:Frankenweenie” é visualmente belo mas desprovido de emoção – até uma reta final de puro caos.
O melhor: O climax final – puro Tim Burton sob efeito “Ed Wood“.
 
 
 José Pedro Lopes
 

Últimas