«Un Heureux Événement» (Um Feliz Evento) por Roni Nunes

(Fotos: Divulgação)

 “Um Feliz Evento” não é nenhum prodígio de cinema, mas pelo menos o realizador Rémi Bezançon consegue evitar a doença hollywoodiana de abordar sob um prisma sentimental e melómano questões como o casamento, a gravidez, a sexualidade feminina e a dura vida de mãe (especialmente sem ajudas familiares…).

O filme acompanha a vida de Barbara (Louise Bourgoin), desde o momento em que se apaixona pelo descontraído empregado de um clube de vídeo (Pio Marmai) até os nove meses depois do nascimento do bebê fruto do seu casamento. No trajeto, vai criando um verdadeiro inventário sobre tudo que ocorre após o “alegre evento” que é o aparecimento do novo membro da família.

O filme aborda tantos temas que até bem chegada a metade quase esqueceu de criar um conflito e o que passa no ecrã é quase um documentário. Este tom demasiado monocórdico, por vezes, o torna um tanto insosso. Apesar disto, revela uma incrível sintonia com a vida quotidiana de todos aqueles que já tiveram filhos. Passam questões como a substituição dos livros da tese de pós-graduação por outros como “Por que o Bebé Chora”, a verdadeira razia na vida afetiva e sexual do casal, a muito desagradável ajuda da sogra, as mudanças físicas e emocionais da mulher, etc.

Embora evite razoavelmente as fórmulas e clichés, não o faz de todo e nem escapa do romantismo tipicamente feminino – uma vez que foi inspirado num livro da escritora Eliette Abecassis. A uma certa altura ganha contornos mais dramáticos e o romance leve do início vai dando lugar a um registo muito realista e por vezes sombrio, evitando as soluções fáceis e colocando problemas bem reais no relacionamento do casal.

O alcance deste “alegre evento” junto do público masculino não será dos mais alargados, mas, para os aventureiros, pode-se dizer que, pelo menos neste caso, até vale a pena despir-se dos preconceitos e dar uma conferida naquilo que já conhece (a realidade do casamento após o nascimento de um filho) ou que, eventualmente, ainda vai conhecer… 

O melhor: não ter sido feito em Hollywood
O pior: por vezes demasiado expositivo, sem um verdadeiro conflito
 
 
 Roni Nunes
 

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