«Poulet aux Prunes» (Galinha com ameixas) por Roni Nunes

(Fotos: Divulgação)

Novo trabalho de Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud, quatro anos depois da consagração com “Persepolis”. “Galinha com Ameixas” sai oficialmente do universo da animação, embora o seu visual continue a dever imenso ao cartoon – arte da qual, aliás, provém.  

Abandonando completamente o realismo de cunho histórico e social de “Persopolis”, os realizadores aventuram-se aqui pelas efemérides da escola romântica. Trata-se de uma espécie de conto de fadas oriental sobre um músico (Nasser Ali, vivido por Mathieu Amalric) que não consegue encontrar um instrumento que lhe consiga repor a paixão de tocar depois do seu violino ter sido destruído. Então, decide morrer. A partir desta decisão, o filme reconstrói a sua vida e das pessoas próximas até este dia.

A dupla Satrapi/Parounnaud aproveita todas as liberdades visuais e dramáticas para compor a biografia de Nasser e dos demais, resultando num filme colorido e requintado, a brincar com colagens e alguns episódios delirantes – ao mesmo que constroem cenários estilizados e cinzentos para o ilustrar o presente dramático e sombrio do protagonista. Tudo no liquidificador, sai como uma mistura de Terry Gilliam, Tim Burton e “O Fabuloso Destino de Amélie”

O ponto mais fraco é uma forma de organização dos flashbacks que beira o aleatório e que concede às personagens um tempo de desenvolvimento bastante ínfimo, que raramente lhes permite mais do que uma sumária apresentação. Isto torna difícil a sua assimilação e identificação – ainda que dê para rir da anedótica vida adulta do filho de Nasser Ali na América, por exemplo. Com alguma dimensão, só a personagem central e a sua esposa, Faranguise (Maria de Medeiros). Já sobre a paixão perdida de Ali, Irâne (Golshifteh Farahani), não são dadas informações que ilustrem-na como algo mais do que aquelas musas ao estilo decorativo de certas tradições românticas.

De qualquer forma, no todo é um filme bonito, especialmente dedicado aos fãs de histórias de amores impossíveis.

O melhor: o visual requintado 
O pior: a narrativa livre e seus personagens demasiado superficiais
 
 
 Roni Nunes
 

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