«Arbitrage» (A Fraude) por Roni Nunes

(Fotos: Divulgação)

Nestes tempos em que os homens das altas finanças são cada vez mais mal-amados, até cai bem uma história que submeta um dos seus exemplares a uma labiríntica descida aos infernos. “Arbitrage” guarda umas tantas semelhanças com a “A Fogueira das Vaidades” (o livro, que ganhou uma indigna versão de Brian de Palma), onde o homem de negócios em apuros também tem uma amante e começa sua trajetória para baixo com um acidente de automóvel.

Closes e planos americanos para acentuar a decadência e os crescentes dilemas do milionário Robert Miller (Richard Gere) são o eixo sob o qual giram as peripécias deste “Arbitrage”, numa trama de construção ambiciosa que espalha seus conflitos em três frentes: a história ligada aos apuros nada desprezíveis nos quais Miller mete seu amigo pobre Jimmy Grant (Nate Parker) – que faz aqui um contraponto para o materialismo cínico dos ricos – outra ligada aos seus negócios sob o fio da navalha e ainda uma última que são as intricadas implicações para sua vida familiar.

Richard Gere, que nunca foi um grande ator, defende como pode um filme onde tudo gira à sua volta. O argumentista/realizador Nicholas Jarecki conseguiu equilibrar esta rede diversa e criar um thrilller intenso e envolvente na maior parte do tempo. Por fim, resolveu dois dos dramas a contento e deixou um em aberto – como que para sublinhar que o mundo continua a girar, hipócrita, corrupto e cínico…

O Melhor: as várias ramificações da história que criam um filme dinâmico e envolvente
O Pior: um plot não muito original
 
 
 Roni Nunes
 

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