A qualidade de um filme de ação pode ser medida pela eficácia com que consegue intercalar as cenas de adrenalina com personagens interessantes e, por conseguinte, desenvolver um conflito dramático que valha a pena seguir. Tal como em “Exterminador Implacável”, “Looper” aproveita as possibilidades da vinda de pessoas do futuro para o presente (que neste caso também já é futuro, a história passa-se em 2044) para criar uma narrativa que jogue com as possibilidades de cruzamento de épocas e com as hipóteses, ou falta delas, de mudar o futuro.
Como sempre, é um tema irresistível e o realizador Rian Johnson, felizmente, preocupou-se mais em contar uma história do que em elaborar um filme visualmente luxuoso (o que está longe de ser…) ou com efeitos visuais topo de gama (que também não possui). A diferença em termos de plot para o filme de Cameron é que aqui o sujeito vem do futuro não é um vilão… mas também não é necessariamente bom. Esse é a graça de “Looper”: as personagens têm riqueza, ambiguidade, profundidade – e, nos seus grandes momentos, coloca-os (especialmente a personagem de Bruce Willis) em dilemas de uma verdadeira brutalidade emocional.
Joe (Joseph Gordon-Lewitt) é um assassino a soldo que tem por missão executar figuras inconvenientes enviados por uma organização criminosa do futuro através de uma máquina do tempo ilegal. Ele vai levando a sua existência de tiros, drogas e sexo até que o futuro lhe manda uma figura bastante inconveniente.
A partir daí, o filme vai jogando com tramas paralelas, com perseguições e dramas densos, que exigem dos personagens mais do que as caretas costumeiras dos filmes de ação. Não que Bruce Willis seja capaz de muito mais – e passa boa parte do filme igual a si próprio, ou seja, a distribuir tiros e cacetadas com a sua expressão monolítica. Por outro lado, sempre compensou a sua fragilidade dramática com uma notável capacidade para escolher bons projetos – e aqui acertou novamente.
A destacar ainda o próprio conceito de “looper”, que implica numa noção de circularidade que pode ser expandido a própria ideia de História: se é suposto ela voltar a repetir-se infinitas vezes, como sustentava Nietzsche, a quebra do círculo que evitará males futuros exigirá aqui um ato de altruísmo simplesmente dramático.
O Melhor: a intensidade dos conflitos dramáticos
O Pior: a pobreza visual
| Roni Nunes |
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