«L’Art d’aimer» (A Arte de Amar) por Roni Nunes

(Fotos: Divulgação)

“A Arte de Amar” tenta captar e desvirtuar ligeiramente o espírito daqueles antigos manuais responsáveis pela formação moral e sexual dos jovens, particularmente populares no século XVIII. No todo trata-se de uma série de sketches sem uma ligação entre umas histórias e outras, que vai abordando diferentes aspetos da “arte” do romance, sempre em busca de um registo cómico folhetinesco. 

O resultado disto são algumas boas piadas, umas tantas situações melosas, algum engenho e, nos seus voos altos, alguns achados “quase” transgressivos sobre a moral tradicional. O foco vai, principalmente, para a  relação adultério/fidelidade – e lá vai tendo os seus achados, especialmente quando aborda a dificuldade bastante real da verbalização ao falar-se dos assuntos românticos. 

Existe a vizinha que gostaria de se entregar mas que nunca ouve aquilo que gostaria e, obviamente, o seu vizinho, já compreensivelmente impaciente, que nunca consegue dizer aquilo que ela gostaria; há uma amiga que oferece o namorado para “ajudar” outra que não fazia sexo há um ano; um casal cujo drama é que a mulher tem desejos de trair o marido e resolve deixá-lo antes de o fazer; outro, muito apaixonado, que na sua ânsia de não deixar nada por discutir nem por viver, acaba por aceitar (muito mal) que um deles (ou os dois) tenha, afinal, uma experiência extra-conjugal. E, por fim, a história mais longa, uma mulher casada que resolve se entregar ao melhor amigo de uma forma bastante original…

O pior que isso são as cenas em que tudo parece um teatro cómico filmado para a televisão, sem conseguir fugir a uma trivialidade e a um artificialismo particularmente desagradável. Além do mais, depois da tempestade tudo volta, afinal, ao seu lugar. No fundo, com sua maneira de repor tudo numa ordem aceitável, acaba por não transgredir coisa alguma – e até cairia bem como fait diver de rainhas entediadas “naqueles tempos…” Já nos dias que correm, é globalmente… palerma.

O Melhor: rende umas tantas gargalhadas
O Pior: o resto
 
 
 Roni Nunes
 

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