Pelo preço de um bilhete de cinema o espetador tem direito a uma visita guiada pelas ilhas do Hawaii, com travellings, panorâmicas e planos gerais sob todas as perspetivas imagináveis – com muito verde, azul e areia. Já se o objetivo é ver um bom filme de suspense, talvez o bilhete fique um bocado caro. Tudo vai depender da boa vontade com que espetador resolva aceitar certas implausibilidades e uma cena de resolução da história um tanto absurda.
Cliff (Steve Zahn) e Cydney (Milla Jovovich) vão de lua-de-mel para o Hawaii, tendo apenas o ligeiro azar de chegar numa altura em que outro casal na mesma situação foi assassinado. Isso começa por condicionar ligeiramente o seu bem-estar, até assumir outro tipo de proporção.
Antes de chegar ao seu twist, que realmente vira tudo de cabeça para baixo num pequeno instante, Thom Twohy parece deixar-se seduzir pelo ambiente que o rodeia e, durante um longo tempo, “Uma Fuga Perfeita” pode ser apreciado com uma amena cavaqueira por lugares paradisíacos. Depois da reviravolta o realizador acorda, lembra-se que tem um filme para fazer, e põe o pé no acelerador.
O senão com os twists rocambolescos é que, posteriormente, exigem um árduo exercício de reconstrução mental do espectador, que frequentemente vai tropeçar em uma ou outra coisa que não bate muito certo. E uma delas é a motivação “feita às pressas” para justificas os atos dos malvados: carecem de sentido e profundidade.
Mas, pelo menos, “Uma Fuga Perfeita” tenta a todo custo fugir dos clichés, utilizando até mesmo um ardil metalinguístico – Cliff é um argumentista de Hollywood. No todo, é um Tthriller razoável.
O Melhor: A fotografia, obviamente.
O Pior: as motivações mal construídas dos vilões e outras incongruências do argumento
| Roni Nunes |

