«Dredd 3D» por Roni Nunes

(Fotos: Divulgação)

Diversão barulhenta, com drogas a rodo e violência que varia entre o videojogo e o mais puro gore. A febre das adaptações da BD povoou o cinema com fantasias apocalípticas de cidades moralmente devastadas que precisam de um super-herói para tentar impor um mínimo de ordem. Mas se outro mascarado que andou por aí, aquele do Christopher Nolan, tinha problemas de consciência em fazer justiça pelas próprias mãos, o juiz Dredd (Karl Urban), um Robocop com um cinto de utilidades muito melhor que o do Batman, não padece desses inconvenientes. Conforme o conceito herdado da BD, na Mega City One os juízes são também executores. Ou seja – apanham o criminoso, decidem do que ele é culpado e… já está. Para além de exacerbar a nostalgia atual pela pena de morte, facilita bastante a vida do realizador Pete Travis na hora de dar ao seu público-alvo bastante pancadaria. 

Nesta nova adaptação com a personagem (há outra com Stallone, de 1995), ele vai atender a uma ocorrência num bairro degradado, acompanhado pela novata Anderson (Olivia Thirlby). Ocorre que o local é controlado pela mega vilã Ma-Ma (Lena Headley) que os empareda do lado de dentro e transforma aquilo que era uma expedição punitiva em uma luta desesperada pela sobrevivência. 

Por falar no filme de Stallone, em “Dredd 3D” não há nada do trabalho que se teve na altura em criar figurinos, cenários e uma história com vários personagens e alguma elaboração. Tudo que envolve esse falso blockbuster está ligado à noção de economia – o que, em termos práticos, permite uma produção com um custo de “apenas” € 45 milhões. A começar pelos cenários, numa obra onde a maior parte da ação desenvolve-se em escuros e poeirentos corredores. Dado o esforço que os designers cinematográficos têm feito nos últimos anos para captar os delírios da BD, o resultado não é lá muito impressionante. Em termos de efeitos especiais, há um achado divertido que é utilizar a já muito popular “bullet time” para simular os efeitos de uma droga chamada “Slo-Mo” (o nome diz tudo…), que reduz a perceção da velocidade pelo usuário. Dá uma “ganda moca” no espetador. 

Os problemas começam quando essa racionalização digna da Troika afeta o conflito e às motivações dos intervenientes. A opção do produtor/argumentista Alex Garland em concentrar a ação num ambiente fechado implicou em reduzir a história ao mínimo e os personagens a esboços. Vira uma mera caçada, com a contagem de corpos a bater um record qualquer de homens estropiados. Isso tira muito o interesse em seguir o filme, pois é óbvio que o juiz Dredd é um justiceiro hard to kill e as soluções de perseguição e resposta não são nenhum prodígio de imaginação. 

Esta economia de elementos dramáticos também atinge Anderson, mas cujo fiapo de história pessoal – que se resume a uma fotografia onde lembra os pais mortos – dá pelo menos à boa atriz que é Olivia Thirlby a possibilidade de dar alguma vulnerabilidade e realismo à sua personagem. Os seus poderes de vidente rendem as melhores surpresas de “Dredd 3D”. Apesar de tudo é divertido, especialmente enquanto tudo ainda é novidade – sob os acordes entusiásticos de Paul Leonard Morgan. 

O Melhor: as personagens femininas – a vidente Anderson e a maligna Ma-Ma

O Pior: a opção do argumento em reduzir a história ao mínimo

 

 
 Roni Nunes

 

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