Um gato doente e com pouco tempo de vida narra este filme. Não se trata na realidade de um gato, mas da própria Miranda July, realizadora e atriz com o papel principal, a esforçar-se por atingir o que ela deve imaginar ser um tom “fofinho”, mas que se revela tão irritante como o resto do filme.
O gato vai ser adoptado por um casal cujas idades rondam os trinta e cinco e que, quando se apercebem que o gato não vai durar uns convenientes seis meses, mas cinco a seis anos, aproximando-os do final da sua vida, que para July são os quarenta (sim, a vida acaba aos quarenta, diz ela), resolvem viver tudo o que não tinham vivido neste último mês antes de ir buscar o gato.
Há um momento em que os grupos com que nos identificamos e as linguagens utilizadas se tornam de tal forma complexas que não só excluem as pessoas que não fazem parte deles, mas até as que fazem. Momentos em que obras obviamente fracas ou mesmo más se defendem dentro da linguagem do grupo ameaçando quem discorda com um “não percebes isto” e a exclusão do grupo. Uma espécie de bullying elitista disfaçado de sofisticação. Este é um destes momentos e, se tivermos em conta a opinião de muitos críticos (no rotten tomatoes o filme tem uma classificação de 72!) e fizermos parte de um desses grupos, vamos ter de suportar este filme durante hora e meia e ainda calar a nossa opinião depois.
Miranda July já fez muito melhor em “Eu, tu e todos os que conhecemos”, onde navegava com mais cuidado a linha entre o insuportável e o tocante, mas neste caso caiu para o lado do primeiro e fez um filme tão mau que apenas ver o trailer é uma provação.
O Melhor: Há momentos interessantes que assentam na relação entre as personagens.
O Pior: Os momentos mais “artísticos”.
| João Miranda |

