Um dos maiores corações do “indie” americano é, sem dúvida, a realizadora/atriz/ativista/música Miranda July. Pena é que como tantos valores artísticos do outro lado do oceano apenas chegue ao nosso país em fim-de-prazo e em fundo de catálogo, como é o caso desta tardia estreia de «The Future».
Este filme, que brilhou em 2011 em Sundance e em Berlim, conta a história de um casal na casa dos trinta anos que pouco ao nada fazem com a sua vida. Decidem adoptar um gato de um abrigo, chamado Paw Paw, que só terá alta dentro de um mês. No período de espera, perante a responsabilidade de tomar conta do animal, eles vão por em causa tudo nas suas vidas e, eventualmente, o amor que sentem um pelo outro.
Tal como em “Me and You and Everyone We Know”, Miranda July realiza, escreve e interpreta, fazendo com que toda a obra venha mergulhada num tom pessoal e intimista. O “setup” de «The Future» no entanto é estranho: as almas perdidas que a povoam não merecem muito a nossa simpatia pois pouco fazem para merecer uma vida melhor para além de serem desleixados, apáticos e implicativos.
A equação funciona na perfeição. Enquanto Sophie e Jason se desentendem, experimentam empregos novos, amantes e todo o tipo de disparates, a gata Paw Paw aguarda ser salva do gatil onde mais cedo ou mais tarde será posta a dormir.
Um filme que vale a pena recuperar, acima de tudo pela linguagem cinematográfica empregue, sempre próxima do espectadores e dos atores.
O Melhor: A realização, intimista e acertada.
O Pior: Hamish Linklater por vezes falha no tom
| José Pedro Lopes |

