Quando foi filmado em 2009, este ‘Cabin in the Woods’ era a resposta do duo Joss Whedon e Drew Goddard (das séries ‘Buffy, A Caçadora de Vampiros’ e ‘Angel’, puro fantástico referencial) à degeneração do cinema de terror comercial americano às mãos dos “torture porn” (filmes de terror violentos, sem sustos, apenas tortura) como ‘Saw’ e ‘Hostel’. Feito para a MGM, que fechou o filme andou num limbo até que a Lionsgate (curiosamente, a mesma produtora de ‘Saw’) o comprou para distribuir agora em meados de 2012.
O mais curioso é notar como tanto mudou nestes 3 anos. O terror de tortura caiu de moda e nenhum outro registo assumiu o seu lugar. O medo e o terror não são apostas de Hollywood, estando este registo mais obscuro do cinema entregue apenas ao cinema indie e asiático (com um ou outro apontamento europeu). Fora isso, as bilheteiras e o grande público virtualmente esquecerem o terror, que na sua vertente de Hollywood não passa de filmes pontuais lançandos em ‘Video-on-Demand’ e produções muito pouco ambiciosas. Excepção apenas para a saga ‘Paranormal Activity’ e subprodutos do gangue ‘Found Footage’ que ainda se mantém no topo das bilheteiras quando surgem.
A outra coisa que mudou foi que Joss Whedon, produtor e argumentista, realizou entretanto o colosso chamado ‘The Avengers’, que é o terceiro filme com maior receita da história do cinema.
Em ‘Cabin in the Woods’ seguimos um grupo de cinco jovens que vão passar o fim-de-semana para uma casa de campo comprada pelo irmão de um deles. Ao longe, eles parecem estar a ser seguidos por uma organização governamental high-tech que quer condicionar os seus comportamentos.
Ir para além deste “setup” é perfeitamente desnecessário pois ‘Cabin in the Woods’ é um filme de sustos e surpresas, de revelações do mais elaborado possível. A matriz para o ver parece-me simples. Qualquer fã do terror ou espectador com vontade de voltar à sala de cinema para um filme de sustos, emoções fortes e fantasia, não o pode deixar escapar, pois ‘Cabin in the Woods’ é terror ao seu mais alto nível.
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Whedon recupera muito do espírito da sua série ‘Buffy’ aqui. As personagens falam em referências, o humor é mordaz e o “mix” de elementos do fantástico é do mais preenchido possível, sendo ‘Cabin’ o raro filme de terror que é original, fresco e inventivo. Tendo em conta os mais de 60 milhões de dólares na bilheteira mundial (versus um custo de 30), e as críticas extremamente positivas, este é um sinal que quando o filme é bom – independente de modas – o público responde.
O melhor: Depois de andarmos de elevador, tudo o que acontece.
O pior: Que o homem-peixe não tivesse sido o escolhido.
| José Pedro Lopes |

