«O Meu maior desejo» por Roni Nunes

(Fotos: Divulgação)

Sempre será possível criar belos filmes apoiando-se na inocência da infância e nos conflitos resultantes das tomadas de consciência que sinalizarão a sua passagem para a vida adulta. Por mais batido que seja o tema, a magia do ponto de vista infantil fornecerá sempre material para cineastas com sensibilidade e bom gosto – cujos filmes serão também, na maior parte das vezes, irresistíveis para o público. E Koreeda, um realizador já habituado ao trabalho com crianças, não desperdiça o material. 

Sem pieguices e com grande emoção, o filme acerta sempre – ao reunir um grupo de crianças que espera ver o milagre dos seus desejos transformados em realidade assistindo ao cruzamento em simultâneo entre dois TGVs. O mais belo deste filme é o número de personagens que entrelaça-se com uma variada quantidade de desejos possíveis – desde singelas pretensões de “desenhar melhor” ou “correr mais depressa”, a ambições no limite da fantasia (reunir a família novamente, se tornar atriz contra o impiedoso julgamento da mãe) passando por outras dolorosamente irrealistas, como ressuscitar o animal de estimação.

De resto, os adultos aparecem no filme para mostrar que, apesar de tudo, nunca deixarão de ser crianças pois, de uma forma ou de outra, as fantasias estão lá – entre aqueles que perseguem uma carreira artística, com os que sonham com um negócio lucrativo que os tire de uma reforma modesta ou, simplesmente, dos que querem arranjar um emprego digno. E há ainda o pungente retrato do casal de idosos que participa inadvertidamente na epopeia infantil. 

Koreeda filma tudo isso com recursos linguísticos mínimos, utilizando uma fotografia despida de floreios adicionais e que limita-se a observar a vida banal e corriqueira de ensolaradas cidades medianas japonesas. Essa opção empurra todo o foco para atuação dos atores, que não dececionam, e para o desenvolvimento dos seus personagens. O mesmo vale para a banda sonora, onde utilizam-se simples acordes de guitarra no lugar daquelas orquestrações que, de tão usadas, já se tornam cansativas. Uma economia de recursos que acaba por beneficiar mesmo sequências já muitas vezes vistas, como a aventura final dos garotos. 
 
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Por vezes o filme parece adotar de forma exagerada o ponto de vista infantil, o que determina algumas soluções fáceis ou simplistas. Mas são pequenos momentos que não interferem no resultado final.

O Melhor: a forma como relaciona a magia do desejo infantil com a vida adulta
O Pior: o simplismo de algumas soluções 
 
 
 Roni Nunes
 

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