Com os contos de fada em alta, a Pixar também resolveu produzir o seu. Com ecos de “Como Treinares o Teu Dragão”, a história situa-se na Escócia do século X e, como o outro, lida com mitologias e costumes sociais arcaicos.
Embora a opção tenha sido por uma história original ao invés da adaptação de algum conto clássico, “Brave” tem lá seus feitiços, bruxedos e poções – somadas a algumas entidades mágicas visualmente representadas – como o destino e os espíritos. Os contos de fadas têm a ver com desejos – e, no caso da princesa Merida (McDonald) – é mesmo caso para dizer “cuidado com o que desejas”. Rebelde, aventureira e incapaz de aceitar um destino ditado pelas regras sociais, procura o apoio de uma bruxa para modifica-lo – desnecessário dizer que os resultados não serão propriamente os esperados…
Baseado no relacionamento mãe e filha, o filme reescreve a História segundo a perspetiva feminina – e parece que, segundo esta, os homens terão mesmo de ser retratados como glutões rudes e violentos – cabendo as mulheres o papel de raciocinar no meio do caos. A coragem e a ânsia por liberdade pertencem à personagem principal (a primeira do sexo feminino nos filmes da Pixar) – e os adolescentes masculinos são invariavelmente belicosos ou estúpidos.
Tal como nas fábulas, também encerra a sua moral – mas a condenação do socialmente desvirtuado é atenuada por aquelas soluções de compromisso típicas das releituras modernas dos contos de fadas. Claro que a família como célula básica do entrelaçamento afetivo terá que ser salva da cobiça e do orgulho – defeitos na raiz da maldição que recaiu sobre o vilão.
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Se o grande cinema (a nível de investimentos) hoje em dia é pensado quase exclusivamente para crianças e adolescentes, pode-se dizer que em termos qualitativos os primeiros (e aqueles que os têm que acompanhar ao cinema!) têm bastante mais sorte que os teens – cujos filmes formulaicos são completamente inúteis para quem está fora desta faixa etária. As animações são o que de melhor o cinema de massas tem hoje a propor – o que é particularmente verdadeiro no caso do estúdio Pixar, que tem sobrevivido criativamente ao sucesso. A alta tecnologia – com destaque para o realismo do urso vilão, cujo 3D lhe confere um caráter realmente aterrador – está a serviço dos personagens e da história – e não o contrário.
O Melhor: a história e o humor
A Pior: os maniqueísmos de certos enfoques
| Roni Nunes |

