Por falar em autores, Steven Soderbergh permanecerá dos mais peculiares e fascinantes da nossa geração. Ao longo de mais de duas décadas de carreira, o realizador não só foi um autêntico cineasta (acumulando sempre outros cargos e assinando por vezes sob pseudónimos – Peter Andrews e Mary Ann Bernard são ele próprio!), como, ao transitar entre o independente e o comercial, por transformações que muitas vezes desafiavam a própria arte de contar uma história via câmara, soube sempre manter uma identidade própria.
Não é por isso surpresa observar que “Magic Mike” oferece mais do que a sua publicidade, sempre sedenta em mostrar corpos e reduzir produtos a uma mostra de abdominais e cus, sugere. É certo que Soderbergh, mesmo sendo dos mais polivalentes que temos, já tinha tratado destes assuntos de misturar sexo/corpos com a crise anteriormente – o subestimadíssimo “Confissões de uma Namorada de Serviço” é o exemplo mais claro, sendo este “Magic Mike” um contraponto masculino, ligeiramente mais convencional. Mas percebe-se: o subtexto financeiro é sempre atual, e agora mais do que há cinco anos atrás.
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Não é preciso também ter medo (bem, a não ser que se sinta mesmo incomodado com o corpo masculino): “Magic Mike” oferece a sua dose elevada de rabos e troncos nus, capaz de alimentar conversas de café e de deixar muito boa gente invejosa e/ou faminta. Num contexto quer comercial quer alternativo, não é um cenário muito comum de se ver, este tratamento inteligente da objetificação do corpo masculino, e só por isso mereceria alguma atenção. Mas em cada cena, comprovamos também que este é um filme realizado e concebido por Steven Soderbergh (a partir da história verídica da sua estrela Channing Tatum – mais uma vez a gestão de ficção vs. documentário aqui presente). E isso é definitivamente um bem precioso, e diferenciador.
O Melhor: Poder ser apreciado a vários níveis.
O Pior: Sentirmos que podia ir ainda mais além.
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| André Gonçalves |

