Elenco: Tomer Sisley, Kristin Scott Thomas, Mélanie Thierry, Miki Manojlovic, Bojana Panic.
Um bilionário típico poderia usar os seus recursos para viver num lugar onde ao acordar desse com alguma paisagem natural extasiante. Mas não Nero Winch (Miki Manojlovic): este vencedor por conta própria nas finanças possui uma devoção tão arraigada ao liberalismo que elege como vista da suprema beleza o emaranhado de prédios de uma das mecas do capitalismo, Hong Kong.
Por isso seu filho adotivo, Largo Winch (Tomer Sisley), preparado zelosamente para o suceder, é um verdadeiro “tiro na culatra”; seu desprezo é tal pelo que o pai representa que a primeira vez que o vamos encontrar é no longínquo Mato Grosso, estado brasileiro próximo à Amazónia. E quando não está em alguma aventura, prefere as belas paisagens da Croácia, cenário que representa a único laço afetivo da sua existência: foi lá que cresceu com a família a que Nero o confiou até aos 8 anos.
De menino mimado e rebelde a subitamente herdeiro de um conglomerado económico, Winch opera um complexo processo de adaptação a um meio hostil – a selva do mundo dos negócios – e a busca paralela da sua própria identidade.
Largo Winch é um herói simpático e, para filmes do género, até exibe alguma profundidade ao encarnar uma espécie de Bourne à procura do seu passado misterioso – mesmo que parte dessa busca seja à base de golpes de karaté. Pelo meio, a solidão do poder e a ganância desenfreada dos homens de negócio – com destaque para uma cena em que um empresário explica ao novato Winch como faz para que esqueçam o seu passado de enriquecimento ilícito: “basta investir em obras da Unicef… “. No todo, é um filme sem efeitos especiais espalhafatosos, mas como uma história aceitável, que só se perde um bocado nas suas infinitas reviravoltas. Destaque também para a participação de Scott Thomas.
O Melhor: a história é mais importante que os efeitos especiais
O Pior: o excesso de reviravoltas
| Ronin Nunes |

