«Magic Mike» por Roni Nunes

(Fotos: Divulgação)


Realização: Steven Soderbergh
Elenco: Channing Tatum, Matthew McConaughey, Alex Pettyfer, Cody Horn, Oliva Munn, Matt Bommer, Joe Manganiello.

Steven Soderbergh escolheu coreografias e figurinos realmente divertidos para a sua curiosa maneira de mostrar a erosão da mentalidade empreendedora da América e a cultura do vazio daí resultante. Tudo se passa à volta de um grupo de strippers masculinos – encabeçados por um Channing Tatum muito à vontade a reviver sua experiência no ramo, e com uma atuação fabulosa de Matthew McConaughey.

É numa ensolarada Flórida que o “líder” do grupo, o ultra empreendedor Magic Mike (Tatum) (des) entende-se com seu destino – entre o mito americano do self made man e o nada da cultura do hedonismo. América idealizada, cujos paradigmas definem as atuações de Mike na procura do seu sonho, na filosofia barata do seu chefe (McConaughey) e com continuidade garantida através do seu pupilo, o “the kid Adam” (Alex Pettyfer). São no seu inusitado apreço pelo jovem, mais a amizade com a irmã deste (Cody Horn), que Mike encontra o contrapeso para os seus valores – uma oportunidade de altruísmo e de beleza afetiva. O striptease de Mike acaba por ser tão visual quanto psicológico.

O mundo amoral e o vazio existencial estão longe de ser uma novidade no cinema norte-americano. Mas a forma leve e ao mesmo tempo incisiva de os retratar, aproveitando um universo pouco explorado, resulta num filme bastante singular.

A pungente crise existencial de Mike surge aos poucos, ao ritmo do verão da Flórida – sem deprimir muito, sem acelerar demasiado. Demora-se a saber onde o filme quer chegar, embora nunca se fique suspenso no tédio. “Magic Mike” aguenta-se bem e, mesmo em plena fase de resoluções da trama, o realizador dá-se ao luxo de tirar o pé do acelerador e concentrar a “ação” em longas conversas aparentemente sem grande sentido – mas que fazem todo o sentido. É nesse questionamento das estruturas lineares que se reconhece o autor Soderbergh – durante muitos momentos escondido numa história aparentemente banal sobre ambição e desilusão.

O Melhor: a forma original de abordar uma crise de valores pessoal e coletiva
O Pior: a demora em situar o espectador no contexto

 
 
Roni Nunes

 

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